A candidatura de Lula em 2018 esta morta, diz jornalista Josias de Souza

Quem vai herdar capital eleitoral deixado por Lula?

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Gabriela Fujita – DoAUOL, em São Paulo

As eleições municipais de 2016 deixam algumas pistas de como será a disputa presidencial em 2018, mas nada muito claro ainda, de acordo com os analistas políticos que participaram da cobertura do UOL neste domingo (30).

Com as perdas do PT (Partido dos Trabalhadores) em todo o país, fica a dúvida sobre uma possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e sobre quem poderá herdar o capital eleitoral que ele venha a deixar.

O blogueiro do UOL Josias de Souza diz que não é mais viável que Lula enfrente a disputa pelo PT.

“É muito cedo para a gente dizer quem vai ser candidato forte em 2018. O Lula não é mais candidato ou não reúne mais condições para ser o candidato do PT em 2018, e você tem a Lava Jato, que fez com que o noticiário político migrasse da editoria de política para a editoria de polícia, e agora vai migrando gradativamente para aquela seção do jornal onde são publicados os avisos fúnebres. Algumas candidaturas já estão mortas, a candidatura do Lula está morta”, afirma.

O cientista político do Insper Carlos Melo concorda: “as condições do ex-presidente Lula são muito complicadas para que ele possa vir a ser candidato. Mas quem herda esse contingente de votos do Lula?”, questiona.

É bem difícil, os dois afirmam, estabelecer quem poderia obter vantagens com uma não candidatura do petista. O cenário, por enquanto, apresenta muitas dúvidas. E uma delas é que leva tempo para construir uma trajetória como a do ex-presidente.

“O Lula disputa uma eleição em 1982, perde, disputa eleição em 1989, 1994, 1998…, ele vai ganhar 20 anos depois. Para o PT chegar ao poder nacional, são 20 anos de trajetória. No caso do PSOL, nós temos a primeira aparição –e ainda localizada– na cidade do Rio de Janeiro. Imaginar que agora toda aquela base eleitoral do PT vá para o PSOL, acho que é precipitação”, diz Melo.

LIDERANÇAS REGIONAIS

Ainda é cedo para avaliar quem teria condições de herdar um espólio do PT também na opinião do blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto, para quem o partido ainda poderá lançar em 2018 seus grandes nomes tradicionais.

“Aqui em São Paulo, tivemos o Eduardo Suplicy como o mais votado da Câmara de Vereadores. É cedo para decretar a falência do PT”, afirma.

Mas lideranças regionais que despontam agora podem representar futuros refúgios desses eleitores, avalia.

“No Ceará, a família Gomes mantém o seu poder sobre Fortaleza. Flávio Dino, no Maranhão, consolida a vitória de um aliado na capital, São Luís, com mais prefeituras do que o Sarney no Estado. O próprio Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, com o PSOL elegendo a segunda maior bancada no Rio.”

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