Diretor da BRF é preso na madrugada de sábado no âmbito da Carne Fraca

Diretor da BRF é preso na madrugada de sábado no âmbito da Carne Fraca

Roney Nogueira dos Santos é quem teria negociado liberação de frango com salmonela

A Polícia Federal prendeu Roney Nogueira dos Santos, diretor de Relações Institucionais da BRF, na madrugada deste sábado no aeroporto de Guarulhos. Ele teve seu mandado de prisão expedido na sexta-feira, durante a deflagração da Operação Carne Fraca, mas estava na Europa em uma viagem a trabalho. A confirmação da prisão foi feita pela assessoria de imprensa da BRF.

Um dos diálogos grampeados pela Polícia Federal mostra que Roney foi o executivo que viabilizou a liberação de carne de frango com salmonela por meio do uso de influência no Ministério da Agricultura. Nesta conversa, que consta da decisão judicial que autorizou o início da Operação, uma funcionária da BRF, apresentada como Maria Estela, alerta Roney de que são necessários registros para 74 granjas de frango e 75 de peru, que estão sem certificado, ou as unidades seriam submetidas a exames laboratoriais oficiais que constatariam a salmonela. A funcionária explica para ele que se conseguirem o certificado, a BRF poderia entregar resultados de exames feitos internamente.

“Eu já vou organizar já, pedir pro (Luís) Guaraná (funcionário da BRF) formalizar um ofício e eu vou fazer os meus contatos aqui pra ver se eu consigo falar com a pessoa lá. Tá bom? Qual é o prazo que a gente tem pra regularizar isso ai? (…) Entendi. O prazo é pra ontem, então”, diz ele nesta conversa.

Segundo a Polícia Federal, Roney Nogueira dos Santos era o representante da alta cúpula da BRF envolvido no esquema de fraude de documentos e adulteração de carne. Era ele quem defendia os interesses da empresa junto aos servidores públicos que recebiam as propinas.

Ainda de acordo com a decisão judicial que autorizou o início da Operação, constam trechos de diálogos interceptados nos quais fica clara a proximidade de Roney com fiscais do Ministério da Agricultura. Em diversas conversas, Roney liga para fiscais para dizer que já redigiu documentos, que deveriam ser escritos pelo Ministério, e que são necessárias apenas as assinaturas.

Documentos para habilitar uma das unidades da BRF para exportar para a Malásia, por exemplo, são conseguidos por meio da influência de Roney sobre os fiscais, segundo relata o documento da Justiça Federal.

Num outro trecho de conversa grampeada, Roney fala com um funcionário da BRF e depois com um advogado da empresa e solicita que sejam conseguidos documentos que comprovem que uma fiscal do Ministério ressarciu a BRF de um valor gasto para mandá-la ao exterior. “Na verdade esse reembolso nunca aconteceu, e a empresa teme ter problemas futuramente com relação a esta falsa declaração de reembolso”, afirma a decisão judicial.

A BRF disse, por nota, que “está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos”. A companhia reiterou “que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas”.

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