Em 3 dias, desembargador de SP virou consultor do ex-presidente do BB Bendine

SAO PAULO, SP, 07.07.2011, BRASIL George Samuel Antoine, da Associacao dos Consules no Brasil, entrega Diploma de Honra ao Mérito Consular ao desembargador Armando Sergio Prado de Toledo. a direita, o deputado Barros Munhoz (PSDB), entao presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de Sao Paulo), que compareceu a cerimônia no clube Monte Líbano. Credito: Divulgação / Alesp ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***

O desembargador Armando de Toledo (esq.) ao lado de Barros Munhoz em evento de 2011

Em março de 2015, o desembargador Armando Sérgio Prado de Toledo, 62, surpreendeu os colegas do Tribunal de Justiça de São Paulo ao antecipar em 11 anos sua aposentadoria. Três dias depois, ele distribuiu no tribunal cartões de visita de sua nova atividade, a de “consultor” do então presidente da Petrobras, Aldemir Bendine.

Bendine foi preso em julho na Lava Jato, acusado de receber propina da Odebrecht quando era presidente do Banco do Brasil.

Toledo diz que foi “surpreendido” ao saber desses fatos pelos jornais. E que não tem mantido contato com Bendine desde maio de 2016, quando ambos deixaram a Petrobras.

Ex-diretor de Assuntos Legislativos da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), o desembargador tratava de interesses do tribunal junto a órgãos públicos.

Sua rápida contratação pela estatal foi atribuída por colegas, na época, a possível retribuição pela intermediação de contratos do tribunal com o BB –o que é negado pelo tribunal, pelo banco e pelo magistrado aposentado.

Ele participou da solenidade de assinatura de dois convênios do TJ-SP com o BB. As informações são de FREDERICO VASCONCELOS, da Folha de São Paulo.

Ex-diretor da Escola Paulista da Magistratura, Toledo deixou a toga desgastado.

Um mês antes, a Folha revelara que ele retardou a tramitação de uma ação penal contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), supostamente para beneficiar o parlamentar tucano com a prescrição.

Quando o desembargador José Renato Nalini foi eleito presidente do TJ-SP, em 2013, Toledo disputou o cargo de corregedor-geral. Ficou em último lugar, possível reflexo do caso Munhoz.

Nalini foi corregedor e, na presidência, chamava a seu gabinete magistrados com problemas de desempenho e os aconselhava a antecipar a aposentadoria. A aposentadoria de Toledo foi vista como fruto de “livre e espontânea imposição”, no dizer de um colega.

Ao se despedir do tribunal, Toledo afirmou que sua contratação havia sido recomendada pela então presidente Dilma Rousseff.

Em nota, a Petrobras anunciou que Toledo seria consultor da presidência em “matérias relacionadas ao seu histórico profissional e acadêmico na área jurídica”.

Segundo a revista “Piauí”, entre outras atividades, Toledo realizou reuniões com fornecedores da Petrobras e cuidou da interlocução com o Congresso. Discutiu com deputados “a flexibilização da lei anticorrupção, para que fornecedores da estatal envolvidos na Operação Lava Jato pudessem voltar a trabalhar para a companhia”.

OUTRO LADO

“Em momento nenhum me foi questionada qualquer situação quanto aos fatos que estão sendo investigados, no que toca à pessoa de Aldemir Bendine”, afirma o desembargador aposentado Armando Sérgio Prado de Toledo.

“Desde o final de maio de 2016, ao me retirar da Petrobras, não mais tive contato com a pessoa dele. Estou tomando conhecimento das ocorrências apenas agora, pelas notícias de jornais e televisão”, diz Toledo.

“Tenho exercido a advocacia, observada a quarentena imposta a magistrados aposentados.”

O TJ-SP diz que os contratos do tribunal “não foram alvo de questionamento ou reexame”. “O contrato de gerenciamento de depósitos judiciais, de acordo com a lei, só pode ser realizado por bancos oficiais”, afirma.

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