Escândalo da carne podre exigirá muitos Tonys Ramos do setor

Escândalo da carne podre exigirá muitos Tonys Ramos do setor

Os efeitos da Operação Carne Fraca serão desastrosos tanto para o mercado interno como para o externo.

O setor vai precisar de muitos Tonys Ramos, Fátimas Bernardes e Roberts de Niro para fazer o consumidor voltar a acreditar que o produto brasileiro tem boa qualidade.

Boa qualidade tem, mas nem sempre. Como saber o que exatamente o consumidor está adquirindo?

O erro do setor começa na escolha dos fiscais federais de inspeção. As grandes indústrias sempre têm peso nesse processo, e as indicações são feitas com certa dose de política.

É nisso que dá a mistura de pressões de indústrias, indicações políticas e fiscais pouco éticos. O setor precisa criar mecanismos para evitar essa promiscuidade.

A caneta de um fiscal tem um poder muito grande. E ela pode funcionar tanto do lado da obediência às regras como do das necessidades escusas das indústrias.

As indústrias, sobretudo as grandes, gastam milhões em marketing para apregoar a qualidade do produto, mas não têm —ou não querem ter— capacidade para detectar a corrupção no próprio ambiente. O resultado é o que se vê agora: a lama generalizada atinge a reputação do setor.

O problema se amplia porque provavelmente uma operação desse porte, que põe às claras o lado podre do setor, vá interferir nas exportações brasileiras de carne.

O país sempre lutou para livrar-se do estigma de produzir carne de baixa qualidade e de ser negligente no controle sanitário. Foi só depois de duas décadas de luta que o Brasil conseguiu abrir o mercado dos Estados Unidos para a carne “in natura”.

As exigências sanitárias dos EUA são modelo para outros países. Após uma operação de vulto como a Carne Fraca, os países que pagam valores mais elevados pelo produto poderão pôr freio no comércio com o Brasil.

Em poucos anos, o Brasil passou de importador de carne a líder mundial em exportações no setor. São US$ 14,5 bilhões em receitas que entram anualmente no país vindos das exportações de proteína animal.

IRA

O avanço rápido do Brasil no mercado externo provocou a ira de outros mercados, que vão se aproveitar da situação para baratear ou até para impedir o avanço da carne brasileira.

Quando for escolher a carne no supermercado, o consumidor vai pensar duas vezes antes de comprá-la. Quem costuma comprar nuggets, hambúrguer, salsicha, linguiça, salame ou lasanha vai pensar mais ainda, uma vez que esses produtos são os mais suscetíveis a problemas.

Na Europa, é quase certo que o consumo de carne brasileira vá ser desestimulado em favor do produto local.

A exposição de todos esses problemas vai revolver o setor, mas o lado bom é que ele terá de ser passado a limpo.

Resta saber se isso acontecerá ou se as indústrias vão tentar se blindar como os políticos da Lava Jato.

 

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