Joesley diz que ‘Temer é o chefe da Orcrim’ e cita Henrique Alves como integrante

Em dez páginas de entrevista, o empresário conta como, ao longo dos últimos 15 anos, abasteceu esquemas de corrupção, do PT, PMDB e PSDB. O foco, entretanto, são as relações da JBS com o PMDB e o presidente Temer. Ele chama o peemedebista de chefe da quadrilha do PMDB e dá detalhes de como tudo teria começado. “Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa desse país. Liderada pelo presidente”, declarou Joesley. “O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto”.

Joesley diz que conheceu Temer em 2010. “Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de empresário que precisava resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele e fazer esquemas que renderiam propina”, afirmou. O primeiro pedido de dinheiro veio ainda naquele ano. “Esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto”, emendou.

O empresário contou como teria sido o acerto de pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha quando este já estava preso para impedi-lo de fazer uma delação premiada. Esse foi um dos episódios tratado por Joesley no encontro gravado que teve com Temer. “Eu tinha perguntado a ele (Cunha): ‘Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?’. Ele disse: ‘O Altair procura você. Qualquer outra pessoa não atenda’. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro (R$ 5 milhões) a um cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava de dinheiro e que ele estaria solto logo, logo. Fui pagando em dinheiro vivo, ao longo de 2016”, disse Joesley.

Segundo a entrevista, a compra do silêncio do ex-deputado era monitorada por um “mensageiro do presidente”, o ex-ministro Geddel Vieira Lima. “E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema. De 15 em 15 dias era uma agonia. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu”.

O empresário diz que foi ao encontro de Temer para ter certeza se o esquema de pagar pelo silêncio de Cunha era para continuar. “Eu queria ter certeza de que essa agenda ainda era do Temer. De repente eu chegava lá e ela dizia: ‘Não, Joesley, para, não precisa mais não’. Mas ele fala para mim que tem que continuar isso”.

Joesley diz que gravou o presidente porque “sabia que estava aumentando a chance” de ele “trocar de lado” e fazer a colaboração com o Ministério Público.

Ele conta também os episódios em que Temer teria pedido dinheiro a ele: “Uma vez foi quando ele pediu R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner (Rossi) saiu (do ministério da Agricultura), Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolan que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para nós fazermos um mensalinho. Fizemos. Ele volta e meia fazia pedidos assim”.

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