Lava Jato fala em renúncia se aprovado pacote anticorrupção

Lava Jato fala em renúncia se aprovado pacote anticorrupção

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Para o procurador Deltan Dallagnol, a Câmara promove a intimidação de procuradores, promotores e juízes, no exato momento em que a operação chegou aos poderosos

A força-tarefa da operação Lava Jato deu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (30) para falar sobre o golpe que a operação sofreu com a aprovação do texto-base do pacote Anticorrupção, durante a madrugada, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

“Aproveitando de um momento de luto nacional (em relação à queda do avião da delegação Chapecoense), na calada da noite, as propostas foram mudadas. As dez medidas foram rasgadas”, disse o procurador Deltan Dallagnol. Para ele, a Câmara promove a intimidação de procuradores, promotores e juízes. “Se há impunidade, é porque o sistema não funciona.

Dallagnol disse ainda que a Casa enfraquece o combate à corrupção, no exato momento em que a Lava Jato chega perto de pessoas do poder. “O objetivo é estancar a sangria. Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e o que o parlamento quer. Se instala a ditadura da corrupção.”

O procurador falou ainda em renúncia da força-tarefa da operação. “Se for aprovada, a proposta será o começo do fim da Lava Jato. A força-tarefa da Lava Jato reafirma seu compromisso de trabalhar enquanto for possível”, diz o procurador Deltan Dallagnol. “Não será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a lei da intimidação for aprovada”, acrescentou.

O procurador afirmou que a Lava Jato respeita a soberania do Parlamento, mas levou ao Congresso problemas importantes. “A resposta foi: vamos deixar os problemas. Empresários, investidores jamais permitiria que corruptos continuassem em cargos, por que vamos permitir pessoas corruptas no comando dessa empresa Brasil?”.

Dallagnol diz que muitas pessoas trabalharam nas 10 propostas contra a corrupção. “Mas, ao chegar ao plenário, foi desconfigurado. Rasgou-se o texto das 10 medidas”, afirma. “O parlamento é soberano, mas nós, depois de todo esse processo, saímos sem solução para acabar com as brechas que permitem a corrupção.”

Texto-base

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, no início da madrugada desta quarta (30) o texto-base do projeto das medidas de combate à corrupção que veio da comissão especial que discutiu o tema.

O texto-base foi aprovado por 450 votos favoráveis, apenas um voto contra – do petista Zé Geraldo (PA) – e três abstenções. Todos os partidos orientaram voto a favor do projeto.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi mantido na relatoria do projeto e rejeitou as emendas apresentadas no plenário. Ele admitiu a constitucionalidade da proposta de criação do crime de abuso de autoridade de magistrados e membros do Ministério Público, mas ressaltou que é contra o mérito da emenda.

Das dez medidas originais, apenas quatro passaram parcialmente e itens que podem enfraquecer investigações foram incluídos.

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