Moro cita TSE e determina sigilo do depoimento de Emílio Odebrecht

Moro cita TSE e determina sigilo do depoimento de Emílio Odebrecht

Empreiteiro foi ouvido como testemunha de defesa do filho Marcelo Odebrecht

POR CLEIDE CARVALHO E GUSTAVO SCHMITT – O Globo

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos julgamentos da Lava-Jato em primeira instância, determinou que fique sob sigilo o depoimento do empreiteiro Emílio Odebrecht, prestado na manhã desta segunda-feira como testemunha de defesa de seu filho Marcelo Odebrecht. O patriarca da Odebrecht falou pela primeira vez ao magistrado por meio de vídeoconferência na sede da Justiça Federal de São Paulo.

A decisão do juiz de colocar sob segredo de Justiça o teor das declarações é inédita e foi feita a pedido da defesa da empreiteira, mesmo contra a argumentação do Ministério Público Federal.

O juiz então decidiu colher os depoimeintos e manter em sigilo até a liberação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na ata, ele diz que a medida segue decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as delações de outros executivos da na sexta-feira pelo ministro relator Herman Benjamin.

Em março do ano ano passado, Moro também colocou sob sigilo todos os documentos da 26ª da Operação Lava-Jato, batizada de “Xepa”, relativos ao sistema de contabilidade paralela da Odebrecht revelados pela ex-secretária da empresa Maria Lúcia Tavares.

Emílio foi um dos responsáveis por coordenar junto aos advogados as negociações com o MPF de uma das maiores colaborações sobre o processo de corrupção envolvendo a Petrobras, agentes públicos e políticos, e demais empreiteiras.

O empreiteiro depôs na ação penal da Lava Jato em Curitiba na qual o ex-ministro Antônio Palocci é acusado de atuar para favorecer os interesses da Odebrecht junto ao governo federal na contratação de sondas de exploração do pré-sal com a Petrobras.

Além de Emílio também foram arrolados como testemunhas de defesa para prestar depoimento Pedro Novis e Márcio Faria, executivos da Odebrecht. As testemunhas de defesa de Marcelo Odebrecht e Palocci chegaram à sede da Justiça Federal de São Paulo, centro da capital, para prestar os depoimentos a Moro. Emílio Odebrecht entrou pela garagem.

Na saída da Justiça Federal, José Roberto Batochio disse que o resultado do dia foi “muito bom” e que “nada se provou que incriminasse” seu cliente. Questionado sobre o depoimento de Emilio Odebrecht, o advogado que defende Palocci relatou que o patriarca da empreiteira afirmou ter tratado apenas de assuntos institucionais com Palocci e que até ele era conhecido como “italiano”, apelido da lista da Odebrecht atribuído ao ex-ministro.

– Todas as testemunhas negaram que tivessem tratado qualquer assunto relacionado a propina, a sonda em águas profundas ou qualquer outra atividade ilícita. E o Emilio foi muito claro ao dizer que só conversou com Palocci sobre assuntos institucionais, à medida em que, como ministro, ele de fato tinha que conversar com a sociedade e setores empresariais. Ninguém consegue administrar um país fechado num gabinete entre quatro paredes – pontuou Batochio.

– O resultado foi muito bom. Um ou dois disseram que o italiano era o Palocci, mas Emilio disse que até ele era italiano, por causa da sua descendência – continuou.

 

O advogado finalizou sua conversa com jornalistas classificando a prisão de Palocci como “arbitrária”.

– A prisão é absolutamente desnecessária, arbitrária e abusiva. Não tem sentido manter preso um homem quando se apura se ele é ou não culpado por alguma coisa.

Segundo Batochio, quatro testemunhas de defesa da Odebrecht foram ouvidas na manhã desta segunda.

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