Para delegado da Lava-Jato, foro privilegiado freia punições a políticos

Para delegado da Lava-Jato, foro privilegiado freia punições a políticos

“O foro é um salvo conduto para a impunidade. É inaceitável que tantas castas se perpetuem com esse privilégio, incompatível com o princípio republicano”, diz delegado

O delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, o mais antigo em atividade na Lava-Jato, acredita que parte da classe política envolvida na criminalidade ainda está imune aos efeitos da investigação. “E tem nas mãos o poder de ditar as leis no país”, alerta ele, em entrevista ao Correio. “A Lava-Jato atingiu corruptores, agentes públicos e seus intermediários. Mas parte da classe política, grande responsável pela perpetuação desse esquema, ainda se encontra imune a seus efeitos. É preciso atingir esses agentes.”

O foro privilegiado, que permite que ministros, deputados  e senadores só sejam julgados no Supremo Tribunal Federal (STF), atrapalha essa necessidade. “É só considerar a quantidade de condenações em primeira instância e a ausência de perspectiva de condenações em instâncias superiores”, observa. Para o delegado, não há chances de julgamentos em curto prazo no STF.

Aos 39 anos, Anselmo entrou no caso em junho de 2013. A missão era presidir um inquérito que vinha sendo levado de um lado para o outro sem solução em relação a quatro doleiros no Paraná, São Paulo e Brasília. Tudo acabou desvelando um amplo esquema de compra de apoio político baseado em arrecadação com grandes empresas fornecedoras de estatais. As primeiras prisões e buscas foram pedidas por ele, em janeiro de 2014, e executadas em 17 de março daquele ano. As informações são do Correio Braziliense.

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