PMDB pressiona pelo cofre do Ministério das Cidades após apoio a Temer

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Ainda que a conta-gotas, o governo começou a exonerar afilhados políticos de deputados infiéis ao Planalto. Mas terá de enfrentar a pressão de quem deu a cara a tapa na votação de quarta-feira ao enterrar a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Ela virá do PMDB, o partido de Temer. Os peemedebistas defendem Carlos Marun, vice-líder da legenda na Casa, para o Ministério das Cidades, uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada e que está, atualmente, nas mãos do tucano Bruno Araújo.

Marun, atualmente, é vice-líder do PMDB na Câmara. E tem defendido, abertamente, que o Planalto premie quem votou alinhado ao governo, especialmente na sessão que analisou a acusação apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Mas os movimentos partem da legenda, que sempre sonhou com a pasta de Cidades, que desenvolve, entre outras coisas, o programa Minha Casa Minha Vida. Ao longo das gestões do PT, o ministério esteve, na maior parte do tempo, sob a tutela do PP.

Para não melindrar o PSDB, a sugestão apresentada é de que Bruno — que foi exonerado do Ministério e voltou para a Câmara na quarta para votar com o governo — seria deslocado para o Ministério do Turismo, hoje ocupado pelo peemedebista Marx Beltrão, ligado ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O movimento teria dois objetivos: não diminuir a fatia do PSDB na Esplanada e desalojar um afilhado do ex-líder do PMDB no Senado, que tem dado constantes declarações contrárias ao governo Temer. As informações são de Correio Braziliense.
O movimento, contudo, não é tão simples. O Correio apurou que Temer está extremamente reticente às mudanças. Primeiro, porque os ministros tucanos demonstraram uma fidelidade ao Planalto ao longo desta crise e, no dia da votação, a bancada do PSDB acabou, mesmo rachada, dando mais votos para garantir o fim da denúncia do que para lhe dar prosseguimento.

Briga

Além disso, o presidente não quer, mesmo sabendo do tom das críticas que lhe são dirigidas, comprar uma briga com Renan. Temer sabe que, mesmo com as dificuldades para entregar resultados palpáveis, Marx Beltrão é bem quisto na bancada e entre os deputados do Nordeste. Por fim, desalojar um renanzista da Esplanada seria dar espaço demasiado para o ministro dos Transportes, Maurício Quintela Lessa, que poderá ser adversário de Renan na disputa pelo Senado no ano que vem.

Interlocutores do presidente dizem que a intenção, neste momento, é promover uma análise criteriosa do histórico dos aliados. “Quem tem cargos no governo e vota, sistematicamente, contra a gente, fica com a imagem arranhada perante o próprio eleitorado”, justificou um aliado com livre trânsito no gabinete presidencial. A intenção do governo é agir com calma e promover mudanças mais bruscas — se elas vierem a acontecer — apenas após a aprovação da reforma da Previdência.

Por enquanto, as mudanças são pontuais. Ontem, o governo exonerou aliados de deputados dissidentes da base aliada que ocupavam cargos na administração federal. As demissões até agora envolvem apadrinhados de parlamentares do PSDB e do Centrão, grupo integrado por PP, PSD, PR e PTB, e fazem parte da retaliação do Planalto aos que declararam voto a favor do prosseguimento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer.

As exonerações começaram no mesmo dia da votação da denúncia contra Temer no plenário da Câmara. Naquele dia, o governo exonerou Thiago Maranhão Pereira Diniz Serrano do cargo de superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) da Paraíba. Para o lugar dele, nomeou Bartolomeu Franciscano do Amaral Filho.

Maranhão tinha sido indicado para o cargo pelo deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB). O parlamentar integra o movimento dos “cabeças-pretas”, como ficaram conhecidos integrantes da ala jovem do PSDB que encamparam o movimento a favor do desembarque do partido do governo. Ontem, o Diário Oficial da União (DOU) trouxe publicada a exoneração do engenheiro Vissilar Pretto do cargo de superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de Santa Catarina. A demissão foi uma retaliação ao deputado Jorginho Mello (PR-SC), responsável pela indicação de Pretto. Mello foi um dos nove deputados do PR que votaram pela abertura de investigação contra Temer.

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