PMDB quer posicionamento único de parlamentares para reforma da Previdência

O PMDB deve fechar questão sobre a reforma da Previdência na semana que vem, o que significa que todos os 64 deputados do partido deverão votar sim à proposta no plenário, correndo o risco de punição, caso desobedeçam à orientação oficial do partido.

Mais de 40 deputados já assinaram o pedido para que haja o posicionamento único, informou ao Correio o líder do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP). O número supera a exigência regimental de que a maioria concorde — ou seja, 33 deputados.

Com as assinaturas em mãos, Rossi pretende enviar o requerimento ao presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), na semana que vem. Caberá, então, a ele decidir pelo fechamento ou não da questão, o que, segundo o vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), não será um problema, uma vez que Jucá tem se mostrado favorável ao posicionamento único do partido, que evitaria surpresas no plenário. Segundo Perondi, que integrou a comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, “tudo indica” que Jucá estabelecerá o fechamento da questão já na semana que vem. As informações são do jornal Correio Braziliense.

Apesar de não ser costumeiro no PMDB adotar o posicionamento único, Rossi lembrou que o partido recorreu à mesma estratégia na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos públicos, votada em outubro do ano passado. O governo conseguiu, na ocasião, 359 votos favoráveis. Caso pretenda que os outros partidos da base engrossem o apoio, é essencial que o PMDB feche questão. Segundo Carlos Marun (PMDB-MS), que presidiu a comissão especial da reforma na Câmara, isso servirá de “exemplo” para os outros partidos.

Interlocutores do governo afirmam que haverá contrapartidas para os deputados favoráveis a essa estratégia, como o reforço de recursos para municípios. Por outro lado, deputados que votarem contra a reforma, mesmo após o fechamento, poderão ser punidos até com expulsão da agremiação.

Insegurança

A pressão do governo para que o partido feche questão mostra insegurança na aprovação diante de uma disputa acirrada. Os mais otimistas, como Perondi, acreditam que é possível conseguir uma maioria de 333 votos nas próximas três semanas, para vencer com folga. “Não vou mentir, ainda não temos o número necessário. Mas conseguiremos”, garantiu. Só quando essa quantidade estiver certa, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocará a pauta em votação.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP) conta que, atualmente, há cerca de 260 votos favoráveis à reforma na Casa. “Sou muito cauteloso. Temos que esperar um pouco para levar ao plenário”, admitiu. Embora a tendência seja que o número aumente, “como foi na votação do impeachment”, ele acredita que, além do fechamento de questão, a vitória na reforma trabalhista é um componente importante para garantir a aprovação da Previdência. “Na minha opinião, a trabalhista deve ser votada na Câmara antes da previdenciária. É melhor, porque a oposição está falando que a gente se desgasta na Câmara e depois o Senado muda tudo. Por isso, é conveniente mostrar unidade”, considerou. A expectativa de Mansur é de que a trabalhista seja votada até o fim do mês no Senado e na Câmara.

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