PR, PP e PSD articulam desembarque da base de Temer

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vem recebendo vários líderes partidários e parlamentares da base aliada com queixas ao governo Michel Temer, segundo a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews. A romaria era o respaldo que Maia precisava para partir para o enfrentamento ao Palácio do Planalto. Sucessor natural em caso de derrubada de Temer, o democrata tem em sua mesa mais de uma dezena de pedidos de impeachment contra o presidente.

De outro lado, a postura de distanciamento do chefe da Câmara em relação ao Planalto também encoraja os insatisfeitos a ensaiar uma insurreição, que pode se desenhar na votação em plenário da segunda denúncia da PGR contra o presidente – o que é menos provável – ou na aprovação de um dos pedidos de impeachment. Com a caneta da Câmara nas mãos, Maia pode comandar o afastamento de Temer assim como Eduardo Cunha fez no caso de Dilma Rousseff (PT).

Na pauta das conversas entre o democrata e os líderes partidários, segundo Andréia Sadi, estavam os possíveis cenários de desembarque do governo. Entre os partidos que procuraram Maia nos últimos dias estão siglas do centrão, como PR, PP e PSD, além de uma ala significativa do PSDB e do próprio PMDB, de Temer.

O motor para esse movimento é a pressão que os parlamentares estão sofrendo em suas bases para votar a favor da denúncia contra o presidente. Eles temem perder votos – e a própria disputa de 2018 – para salvar um chefe do Executivo que tem menos de 3% de aprovação popular.

Observando a movimentação de uma das peças mais importantes no tabuleiro do poder, Temer mandou o ministro da articulação política, Antonio Imbassahy (PSDB), procurar Maia para tentar apagar o incêndio provocado na terça-feira (10), quando o presidente da Câmara criticou o governo e disse que não votaria mais nenhuma medida provisória após o Planalto agir para esvaziar o quórum da sessão da Câmara.

Segundo o jornalista Gerson Camarotti, da GloboNews, em conversas reservadas na quarta (11), Temer pediu que aliados evitem responder às críticas feitas por Maia, que estaria, na avaliação do Planalto, em busca de um pretexto para brigar com o governo. Recentemente, quando Temer estava na conferência da ONU, em Nova York, o presidente da Câmara chegou a cobrar publicamente a postura do PMDB e de ministros palacianos, dizendo que eles deveriam parar de tentar esvaziar o crescimento do DEM.

Futuro. Enquanto tenta “domar” Rodrigo Maia, Temer promete a aliados uma “repactuação” da base, com revisão de espaços ocupados dentro do governo, em troca de apoio para enterrar a denúncia por obstrução de Justiça e organização criminosa. Segundo a coluna “Painel”, da “Folha de S.Paulo”, a ideia de Temer seria “melhorar a qualidade das alianças”.

O foco é o PSDB, que está rachado desde a votação da primeira denúncia, em agosto, por corrupção passiva – que acabou arquivada pela Câmara. Com quatro ministérios, a sigla não consegue consenso sobre ficar ou sair do governo, e a indefinição vem irritando o Planalto e outros partidos aliados. O governo espera novo comportamento da bancada paulista do PSDB na apreciação da segunda denúncia. O grupo é aliado de Geraldo Alckmin (SP), que trabalha para ser candidato à Presidência em 2018.

Irritou

PSDB. O Planalto ficou especialmente irritado com a movimentação da cúpula do PSDB para retirar o deputado Bonifácio de Andrada (MG) da relatoria da denúncia contra Michel Temer.

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