Temer reúne ministros e Agricultura diz que não há ‘risco sanitário’ na carne

Temer reúne ministros e Agricultura diz que não há ‘risco sanitário’ na carne

Governo prepara novas medidas administrativas; presidente da ABPA disse que o governo está mais preocupado com o mercado externo e não está dando explicações ao consumidor

Lorenna Rodrigues e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

O presidente Michel Temer realiza neste domingo, 19, três reuniões para discutir a crise aberta pela Operação Carne Fraca.  Os encontros começaram com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Em seguida, o presidente recebeu os representantes do setor de produção de proteína animal, como os presidentes da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antonio Camardelli, da ABPA (Associação Brasileira da Proteína Animal), Francisco Turra, além do presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), João Martins.

Martins voltou a dizer que os produtores são vítimas, mas ressaltou que o Brasil tem uma boa defesa sanitária.

“Temos mais de 4 mil unidades [de abate] no Brasil e isso aconteceu em 3 unidades. Temos um dos melhores sistemas de fiscalização do mundo”, afirmou. “A população precisa ter certeza que estão consumindo carne com a inspeção perfeita é melhor qualidade possível”, afirmou.

Mais cedo, antes da reunião, Martins chegou a dizer que houve exagero e pirotecnia na Operação da Polícia Federal. Após o encontro, porém, ele ponderou que, quando se fala em segurança alimentar, todo exagero é pouco. “Não cabe a mim achar que a Polícia Federal exagerou ou não. Quando se fala de segunrança alimentar, eles têm que ser extremamente rigorosos”, completou.

Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o governo está mais preocupado com o mercado externo e não está dando explicações ao consumidor brasileiro. Ele também ressaltou que foram apenas três frigoríficos fechados e que a grande maioria não tem problema. “As pessoas não querem mais comprar carne. Falta explicação para todos”, afirmou.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Eduardo Rangel, disse que não existe risco sanitário na carne brasileira e que as questões apontadas pela operação Carne Fraca não trazem risco para a população nem para exportações. “Não existe risco sanitário e num primeiro momento a ideia é que possamos reagir rapidamente para tranquilizar a sociedade”, afirmou, ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião com o presidente Michel Temer e representantes do setor.

Rangel disse que o ministério está preparado para reagir rapidamente e que serão anunciadas medidas administrativas que serão adotadas ainda nesta semana pela Pasta. Ele afirmou que nenhum país suspendeu a importação da carne brasileira. “Os países estão esperando uma comunicação oficial do governo brasileiro. É o que vamos fazer com o presidente”, afirmou.

O secretário disse ainda que o ministério vai fazer avaliações e que tem sistemas de rastreabilidade e poderá retirar mercadorias de circulação, caso seja necessário.

O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, disse que pode ter havido exagero e pirotecnia na Operação Carne Fraca. “Com certeza tem exagero, pelo número de policiais envolvidos”, afirmou, ao chegar ao Planalto. Ele disse que os produtores rurais também são vítimas do esquema descoberto pela Operação Carne Fraca e que é importante dar uma satisfação imediata ao povo brasileiro. “Tem que ser e vai ser esclarecido. Tem que saber que 80 da produção de carne fica aqui dentro e a população tem que ter a mesma qualidade da exportação”, afirmou.

Temer ainda se encontrará neste domingo com embaixadores de países consumidores da carne brasileira. O governo está preocupado com a repercussão negativa da operação e o impacto que ela poderá ter na exportação de produtos nacionais. A intenção é anunciar novas medidas que levem maior segurança à população brasileira e também ao consumidor do mercado externo em função da Operação Carne Fraca.

Vários países estão exigindo explicações do Brasil por conta das denuncias entre eles, Estados Unidos, e China, grandes compradores do Brasil, além da União Europeia. Ontem, o ministro Blairo Maggi determinou que três funcionários da Consultoria Jurídica do ministério viajassem para Curitiba (PR), onde estavam centralizadas as investigações da PF, a fim de obter laudos periciais dos produtos relacionados na operação. Técnicos da área de Inspeção Sanitária trabalharam neste sábado, 18, para obter detalhes do processo que tem 350 páginas.

Na Europa, partidos políticos e produtores já pediram o fechamento das fronteiras do bloco à carne brasileira, elevando a pressão para que a Comissão Europeia adote uma medida temporária contra o produto nacional. O apelo vem de setores e países com uma tradição protecionista e que, por anos, vem solicitando que Bruxelas derrube um acordo com o Brasil no setor de carnes.

Com objetivo de tentar tranquilizar os mercados internacionais, o Ministério da Agricultura divulgou, neste sábado, 18, nota informando que o sistema brasileiro de fiscalização está “alerta” e garantindo ao consumidor a “qualidade dos produtos de origem agropecuária de nosso país”.

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