Vaccari e Okamotto pediram que triplex fosse mantido em nome da OAS

Ex-presidente da OAS confessou ao juiz Sérgio Moro que Lula era o verdadeiro dono do apartamento comprado da Bancoop e reformado com dinheiro de propina da Petrobrás

O ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, afirmou à Justiça Federal que o triplex 164-A do Edifício Solaris, no Guarujá, não foi transferido para o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedido do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

O senhor disse desde o início, em 2009 e 2010, que o apartamento não foi transferido formalmente para ex-presidente por qual motivo?”, perguntou o juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba.

“O Vaccari me pediu que não fizesse. Me liberou para venda a unidade que teria sido escolhida… e que a unidade que pertenceria à família do presidente ficaria em nosso nome”, respondeu Léo Pinheiro, ouvido nesta quinta-feira, 20, como réu em ação penal ao lado de Lula e Vaccari.

“Ele (Vaccari) falou isso?”, insistiu Moro.

“Ele e o Okamotto. Como iríamos resolver, não sei como.” As informações são da Agência Estado.

Aos executivos do grupo, Léo Pinheiro afirmou era informado que “depois ia ser encontrada uma forma de transferência para alguém que o presidente determinasse ou para a família dele mesmo”.
“Eles (executivos) sabiam que o imóvel era do ex-presidente?.”

“Sabiam, a partir de 2010 isso ficou claro e público”, respondeu Léo Pinheiro. Naquele ano, o jornal O Globo noticiou que Lula tinha triplex no Guarujá em empreendimento da OAS adquirido da Bancoop.

Dono. Lula nega ser o dono do triplex e que nunca recebeu propinas.

“O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou o empreiteiro, a Moro.

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do triplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados – eles protestam na Justiça que a empreiteira cobrou valores muito acima do previso contratualmente. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.

Segundo Léo Pinheiro, a primeira conversa com Vaccari sobre o triplex ocorreu em 2009.
“O João Vaccari conversou comigo, dizendo que esse apartamento, a família tinha a opção de um apartamento tipo, tinha comprado cotas e tal, mas que esse apartamento que eles tinham comprado estava liberado para eu comercializar. E foi comercializado e foi vendido. E que o triplex, eu não fizesse absolutamente nada em termo de comercialização”, disse.

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