Covid-19: voluntários atuam para suprir informações em Libras

Enquanto a maior parte da população brasileira é bombardeada com informações oficiais e notícias sobre o novo coronavírus, esse conteúdo não chega na mesma medida às pessoas surdas ou com deficiência auditiva que estão dependendo de ações voluntárias para ter acesso a dados corretos e explicações sobre a covid-19. Angústia, abandono, desespero e pânico são os sentimentos descritos por essas pessoas neste momento.

É assim para a professora universitária Carilissa Dall’Alba, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ela é surda e tem o português como segundo idioma, depois da Língua Brasileira de Sinais (Libras), então se mantém informada pela leitura. “Mas fico muito tensa quando os telejornais não têm legendas, fico perdida e angustiada. Fico muito preocupada com os surdos que não têm acesso à língua portuguesa e não compreendem bem as escritas, eles estão pedindo informações nas redes sociais por estarem perdidos e isso me dói”, contou à Agência Brasil.

Para ela, as redes de apoio de intérpretes de Libras são muito importantes, mas não conseguem suprir a demanda de informação e ter o alcance necessário. A professora acredita, por exemplo, que é um direito linguístico e humano dos surdos que os telejornais, nos canais abertos de televisão, como concessões públicas, utilizem legendas e intérpretes de Libras. “Os surdos que não têm redes sociais estão em maior risco com falta de informações preventivas”, argumentou, alertando ainda para as fake news.

De acordo com os dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,7 milhões de brasileiros são surdos ou têm algum tipo de deficiência auditiva. Na Pesquisa Nacional de Saúde 2013, também do IBGE, cerca de 2,2 milhões de pessoas declararam ter deficiência auditiva. O grupo representa 1,1% da população brasileira.

O Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Santa Maria, onde Carilissa dá aula de Libras, criou um canal no facebook para transmitir informações articuladas sobre a pandemia aos surdos.

Sem fake news

Também no facebook, a educadora e intérprete de Libras Ângela Russo, junto com um colega do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também criou o grupo Central Libras/Coronavirus. “A gente sabe que a grande mídia não passa as informações em Libras, então tivemos a ideia de criar o grupo com o objetivo de interpretar notícias e informações oficiais do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, para que as pessoas surdas pudessem ter informações corretas”, explicou.

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