Bolsonaro tem semana decisiva em investigação que pode levar a seu afastamento do cargo

Esta semana será decisiva para a PGR (Procuradoria-Geral da República) concluir se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro por corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal.

De segunda (11) a quinta-feira (14), três ministros de Estado, seis delegados e uma deputada federal devem prestar depoimento no inquérito que investiga a veracidade das acusações do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro contra o chefe do Executivo.

Além disso, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), pode decidir nos próximos dias sobre a publicidade do vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro teria ameaçado Moro de demissão caso não trocasse o diretor-geral da PF.

Nesta investigação, Bolsonaro poderá ser denunciado pela PGR e, se a Câmara aprovar o prosseguimento das investigações, será afastado do cargo automaticamente por 180 dias.

O encontro ministerial gravado em vídeo foi citado pelo ex-ministro em depoimento à PF. Interlocutores do Palácio do Planalto temem que a divulgação da gravação gere uma crise ainda maior, uma vez que pessoas presentes dizem que, na ocasião, outros ministros teriam feita duras críticas aos Poderes Judiciário e Legislativo.

Celso de Mello permitiu que o ex-ministro, a PGR e Bolsonaro vejam o vídeo, “em ato único”, antes de decidir se o mantém em sigilo ou não. Isso ocorrerá, segundo o advogado do ex-ministro, Rodrigo Sánchez, na terça-feira (12).

Moro voltará a Brasília pela primeira vez depois da demissão para acompanhar a transmissão do vídeo. Ele tem passado os últimos dias em Curitiba.

Ao pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública no último dia 24, Moro disse que o presidente queria obrigá-lo a trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, para colocar alguém de seu contato direto no cargo.

Leia maisBolsonaro tem semana decisiva em investigação que pode levar a seu afastamento do cargo

Coronavírus: Brasil chega a 11.123 mortes e ultrapassa 160 mil casos

O Brasil chegou hoje a 11.123 mortes pelo novo coronavírus, segundo os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Foram 496 óbitos confirmados nas últimas 24 horas.

A pasta também anunciou que, até o momento, o país contabilizou 162.699 casos confirmados de covid-19. De ontem para hoje, foram 6.760 novos diagnósticos. A taxa de letalidade é de 6,8%.

Do total de óbitos, 132 ocorreram nos últimos três dias e 1.892 estão em investigação. O governo também divulgou que 86.619 pacientes estão em acompanhamento (53,2% do total de casos) e 64.957 já se recuperaram da doença (39,9%).

De acordo com simulações feitas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicadas hoje pelo jornal “O Globo”, o número de mortes pela doença pode dobrar em 20 dias.
São Paulo lidera casos

O estado de São Paulo é o que mais apresenta notificações, com 45.444 casos e 3.709 mortes, seguido por Rio de Janeiro (17.062 diagnósticos e 1.714 óbitos) e Ceará (16.692 casos e 1.114 mortes).

A maior taxa de mortalidade é do Amazonas (242), que contabiliza 12.599 casos e 1.004 óbitos. A taxa é calculada por 1 milhão de habitantes.

O estado que menos apresenta notificações é o Mato Grosso do Sul (362 casos e 11 óbitos), que teve a quantidade de mortes igualada pelo Tocantins (688 diagnósticos e 11 mortes); até ontem, o Tocantins apresentava, sozinho, a menor quantidade de mortos pela doença, com 9 óbitos.
Entenda o cálculo Ministério da Saúde

Leia maisCoronavírus: Brasil chega a 11.123 mortes e ultrapassa 160 mil casos

Lockdown impedirá interiorização da covid no RJ, diz sanitarista da Fiocruz

A médica sanitarista Cristiani Vieira Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, diz acreditar que é preciso fazer o lockdown no Rio —isolamento radical com bloqueio de estradas e circulação reduzida— para impedir a interiorização do novo coronavírus e recuperar o sistema de saúde, cujo colapso deve perdurar ao menos pelos próximos dois meses.

Em entrevista ao UOL, ela também defende a colaboração da rede privada para combater o que chama de “crise humanitária”, contesta teses de imunização daqueles que contraíram o vírus e não estabelece prazos para um afrouxamento da quarentena. “É uma doença nova”, justifica.

Na opinião de Cristiani, a proposta de lockdown deve se concentrar na capital e nos municípios da região metropolitana do Rio, onde há maior incidência de pessoas infectadas pelo vírus. A Fiocruz elaborou os estudos que embasaram o ofício com proposta de bloqueio enviado na última quinta-feira (7) ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por Wilson Witzel (PSC), governador do Rio.

A maior parte dos municípios do estado já tem casos confirmados de covid. Mas a concentração ainda está na região metropolitana. As medidas precisam ser mais rigorosas, impedindo a interiorização da doença. Estudos mostram que isso já acontece em vários estados brasileiros

Cristiani Vieira Machado, médica sanitarista e pesquisadora da Fiocruz

Enquanto o estudo sobre lockdown pedido pelo governo do RJ não é revelado, Witzel estendeu o decreto de isolamento social até o dia 31 deste mês. O governador também tem dito que as decisões sobre a ampliação do bloqueio cabem aos municípios. Hoje, Niterói começa a implantação de “bloqueio total”.

Levantamento feito pela Fiocruz prevê a lotação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no estado fluminense a partir da próxima quarta-feira (13). Segundo a análise, baseada em uma projeção da evolução da epidemia e da disponibilidade de leitos, só seria possível contar com vagas nessas unidades a partir de 22 de julho, o que para a sanitarista torna a necessidade do lockdown urgente.

Leia maisLockdown impedirá interiorização da covid no RJ, diz sanitarista da Fiocruz

Covid-19 avança na Amazônia e derruba tese de que calor mata o coronavírus

A proliferação do novo coronavírus em grande escala em cidades da região Amazônica jogou por terra a hipótese inicialmente levantada de que a covid-19 poderia perder força ao chegar a regiões mais quentes do planeta. Amazonas e Amapá, estados que registram altas temperaturas, lideram os rankings proporcionais de mortes e casos no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

Com cerca de 300 mil habitantes, a região de Rio Negro e Solimões, no Amazonas, é a que apresenta o maior coeficiente de mortalidade no país, com índice de 251,7 por 1 milhão de habitantes. O levantamento foi feito pelo UOL com base em dados divulgados anteontem (9) pelo ministério.

Mas por que essa teoria de que o calor mataria o vírus não vingou? O UOL ouviu dois dos maiores pesquisadores do Brasil sobre o novo coronavírus para entender o comportamento do vírus em áreas mais quentes do país.

Segundo Felipe Naveca, pesquisador de virologia e biologia molecular da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia, o calor pode até reduzir, mas “não é suficiente para parar uma pandemia como essa”.

“Em Manaus, por exemplo, é sempre quente. São poucos os dias em que você sente um tempo mais ameno por aqui, e isso não foi o suficiente para impedir a transmissão. Inclusive nós tivemos muitos dias quentes agora no início do ano, e mesmo assim estamos com uma transmissão lá no alto”, comenta Naveca. Ele coordenou o primeiro estudo no Norte a sequenciar o novo coronavírus extraído de um paciente no estado do Amazonas.

O pesquisador da Fiocruz explica que o frio gera uma tendência de aumento da transmissão de um vírus respiratório, porque as pessoas ficam mais tempo em lugares fechados.

“Por conta do frio, elas tendem a ficar mais aglomeradas, em um ambiente mais fechado. Aqui na Amazônia nunca faz frio. A gente tem só uma época mais úmida, no começo do ano; no segundo semestre, temos um tempo mais seco. Então isso mostra que [a temperatura alta] não adiantou”, reforça.

Leia maisCovid-19 avança na Amazônia e derruba tese de que calor mata o coronavírus

error: Content is protected !!
%d blogueiros gostam disto: