FHC: ‘Devo reconhecer que a reeleição, historicamente, foi um erro’

Recordo-me da visita que André Malraux, na ocasião ministro da Cultura de De Gaulle, fez ao Brasil. Esteve na USP, na Rua Maria Antônia, onde funcionava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, e expôs no “grande auditório” (que comportava não mais que umas cem pessoas) sua visão de Brasília, obra de Juscelino Kubitschek. Malraux estava extasiado, comparava o plano diretor da cidade não a um pássaro (coisa habitual na época), mas a uma cruz. Com sua verve inigualável, dizia em francês o que não estávamos acostumados a ouvir em português: fazia o elogio da obra.

Esse não era, contudo, o sentimento predominante, pois víamos Brasília mais como desperdício, que induzia à inflação, do que como um “sonho”, um símbolo.

A visão dominante era negativa, principalmente no Rio de Janeiro (que perderia a condição de capital da República), em São Paulo e daqui para o sul. O gasto era grande e os recursos, minguados.

Eu compartilhava esse sentimento negativo, e olha que um de meus bisavôs fizera parte, no Império, da “missão Cruls”, que demarcara o território da futura capital do Brasil… Brasília foi construída onde desde aquela época se previa fazer a capital do País.

Não é que Malraux tinha razão? Não que a obra deixasse de ser custosa ou mesmo impulsionadora da inflação. Mas um país também se constrói com projetos, sonhos e, quem sabe, alguns devaneios…

Juscelino fez muitas coisas, algumas más, mas não é por elas que é lembrado. Brasília, sim, ficou como sua marca.

Não o conheci. Vi-o pessoalmente uma vez, sentado, solitário, num banco no aeroporto de “sua” cidade. Aproximei-me e o saudei; pouca conversa, mas muita admiração. Ele já havia sido “cassado”. Passa o tempo e fica na memória das pessoas sua “obra”, Brasília.

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Um em cada quatro brasileiros resiste à ideia de tomar vacina contra a covid-19

Médica voluntária da vacina de Oxford contra a Covid-19 em SP se diz  confiante e acredita estar vivendo 'evento histórico' | São Paulo | G1

Enquanto milhões em todo o mundo torcem para a rápida aprovação de uma vacina contra a covidum em cada quatro brasileiros resistem à ideia de tomar o imunizante quando ele for registrado. É o que mostra uma pesquisa inédita da ONG Avaaz feita pelo Ibope à qual o Estadão teve acesso com exclusividade.

Mil pessoas foram entrevistadas entre os dias 27 e 29 de agosto em todas as regiões do País. Do total de participantes, 75% disseram que tomarão a vacina com certeza, 20% afirmaram que talvez tomem e 5% relataram que não receberão o imunizante de jeito nenhum – o que indica, portanto, 25% de recusa ou incerteza sobre a imunização. A margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Houve maior índice de hesitantes na faixa etária dos 25 aos 34 anos (34%) e entre pessoas da religião evangélica (36%). Não houve diferença significativa das respostas segundo sexo, raça/cor, escolaridade e renda.

O Ibope também buscou saber as razões para a recusa ou desconfiança na vacina. Entre as principais estão dúvidas quanto à segurança e eficácia do imunizante e teorias da conspiração das mais diversas, como a de manipulação genética ou implantação de um chip por meio da vacina e até a hipótese de que o produto seria feito com fetos abortados.

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Governo usa comunicação oficial para criticar paródia de Marcelo Adnet

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) criticou neste sábado (5) o humorista Marcelo Adnet por uma paródia à campanha do governo federal sobre os heróis brasileiros. Em uma sequência de tuítes, o órgão comandado por Fabio Wajngarten afirmou que “há quem prefira parodiar o bem e fazer pouco dos brasileiros”.

Apesar de não citar nominalmente o humorista da TV Globo, a Secom usou uma imagem do vídeo publicado ontem por ele e afirmou que a campanha do governo foi vítima de “reações maldosas, carregadas de desprezo por brasileiros simples, mas imensamente bondosos”.

Crítico ao governo, Marcelo Adnet costuma produzir vídeos de sátira do presidente Jair Bolsonaro. O humorista vem produzindo uma série durante a quarentena chamada “Sinta-se em Casa”, gravada de sua casa no Rio de Janeiro. No vídeo a que a Secom faz referência, Adnet ironiza a participação do secretário especial da Cultura, Mário Frias, na campanha do governo em uma espécie de Arquivo Confidencial, quadro do programa Domingão do Faustão. Também há referências a Fabrício Queiroz, o ex-assessor do filho do presidente Flávio Bolsonaro, investigado pelo crime de “rachadinha”.

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Moro: “Bolsonaro deveria honrar as promessas de campanha”

Moro: “Bolsonaro deveria honrar as promessas de campanha”

Em entrevista ao Correio Braziliense, Sergio Moro voltou a afirmar que o governo Jair Bolsonaro abandonou a agenda anticorrupção, deixando de lado, por exemplo, o projeto da execução após condenação em segunda instância.

Questionado pelo jornal se o presidente foi uma decepção, Moro disse:

“Ele deveria honrar as promessas de campanha, seria o correto a ser feito. Para isso, ele deveria, por exemplo, retomar a agenda anticorrupção. Isso demanda não só operações da Polícia Federal, mas também reformas legais que melhorem a estrutura de prevenção e de repressão. É fundamental, por exemplo, retomar o projeto da execução após condenação em segunda instância. Não tenho visto o governo apoiar ou trabalhar por essas medidas.”

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