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No balé das delações, Moro perde Odebrecht, mas pode ganhar mais artilharia anti-PT

Renato Duque em depoimento prestado a Sérgio Moro no ano passado.

As cartas na manga da Lava Jato parecem não ter fim. Os procuradores responsáveis pela operação ainda esbravejavam nas redes sociais contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retirar trechos da delação da Odebrecht das mãos do juiz Sérgio Moro quando começou a circular a notícia de que o ex-ministro Antonio Palocci está fechando a sua própria delação com a Polícia Federal (PF). Nesta segunda-feira, outra boa notícia para os partidários da investigação: o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, acusado de ser o operador do PT na estatal, também está em vias de fechar o seu acordo.

Duque já havia fechado um outro acordo, mas em nível internacional, segundo o jornal O Globo, que informa detalhes sobre o novo entendimento com o Ministério Público Federal. A decisão do STF de retirar de Moro trechos da delação da Odebrecht teria beneficiado Duque. Agora, suas informações sobre a participação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e dos ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu em esquemas de propina valem mais. Em depoimento prestado a Moro no ano passado, Duque, que está preso desde 2014, disse que Lula “detinha o comando” dos esquemas irregulares identificados na Petrobras.

Já a negociação de Palocci, preso desde setembro de 2016, teria enfim sido encaminhada com a PF, já que o Ministério Público não pareceu interessado em utilizar o que o ex-ministro tinha para dizer. A colaboração de Palocci com a Justiça já foi fechada em falso e noticiada mais de uma vez. Agora, a informação que corre é de que seus depoimentos detalham como ele levou pessoalmente pacotes de dinheiro vivo para Lula. Sobre Dilma, o ex-ministro diz que ela atuou para atrapalhar as investigações da Lava Jato ao tentar nomear Lula para comandar a Casa Civil. As informações são de Rodolfo Borges – El País.

Ainda que não se saiba se a delação é para valer, a informação gerou reações indignadas entre petistas. Em nota, Dilma negou encontro que teria sido relatado por Palocci, no qual os dois discutiram financiamento de campanha com Lula e o então presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli. “O senhor Antonio Palocci cria um relato que busca agradar aos investigadores”, disse a ex-presidenta.

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), também divulgou nota para rebater as acusações contra Lula que o czar da economia petista viria a fazer. Atacando o jornal O Globo, que noticiou os detalhes da delação, Gleisi diz que “as novas mentiras” surgiram logo depois que a Segunda Turma do STF “corrigiu, em parte, aberrações jurídicas que davam a Sergio Moro poderes que ele jamais deveria ter recebido”.

De fato, as novas delações reforçam as expectativas de que ficará mais difícil tirar o caso que diz respeito ao sítio de Atibaia (SP) e ao Instituto Lula das mãos de Moro. Após o julgamento em que a Segunda Turma do STF decidiu encaminhar as informações colhidas sobre o sítio em depoimentos para São Paulo, o ministro Gilmar Mendes assustou os investigadores da Lava Jato ao dizer que “poderá haver recursos em relação a processos que estão lá com o Moro sob o argumento de que não se trata de Petrobras, isso pode vir até aqui [ao STF] em outro contexto”.

Ainda não é possível saber a extensão do estrago que as novas delações podem causar, mas procuradores como Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa de Curitiba, não perdem oportunidade de reforçar o argumento de que qualquer barreira que impeça o avanço da Lava Jato significará o início de seu fim. “O STF não pode permitir que manobras e artimanhas se sobreponham à maioria e à própria história e tradição do tribunal”, postou em seu perfil no Facebook após a decisão do Supremo sobre as delações da Odebrecht. Ao defender a permanência dos processos de Lula com Moro, os procuradores parecem tentar proteger o futuro da operação, como se bastasse cair um pilar — a competência do juiz para julgá-las — para que todas as investigações desmoronassem.

Em despacho da semana passada, Moro defendeu que o processo possui mais provas além das delações dos executivos da Odebrecht. “Oportuno lembrar que a presente investigação penal iniciou-se muito antes da disponibilização a este Juízo dos termos de depoimentos dos executivos da Odebrecht em acordos de colaboração”, escreveu. As novas informações provenientes dos depoimentos de Duque e Palocci reforçariam o argumento do titular da 13ª Vara de Curitiba, mas não o bastante para convencer aqueles que Moro condenou. Em carta, Lula se disse “perplexo ao saber que o Moro e o Ministério Público não vão cumprir a determinação do STF”. No Brasil dividido, há quem ficaria perplexo se eles cumprissem.

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