Sob Maia, gastos com passagens avançam 30%; Nova York é principal destino de deputados

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Sob a gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ), os gastos com passagens aéreas na Câmara dos Deputados cresceram 30% em 2019 em comparação com a média dos sete anos anteriores. O aumento ocorre em meio a um cenário de austeridade pregada na administração pública, com cortes de verba em diversos ministérios, por exemplo.

Quase metade dos deputados foram autorizados a viajar para mais de 70 países em cinco continentes, incluindo capitais turísticas. Foram 105 cidades pelo mundo.

Nova York, com 65 viagens, foi o destino preferidos dos deputados, seguida de Montevidéu (39), Roma (34) e Lisboa (30). A preferência pela metrópole americana lidera as viagens desde 2012.

As informações foram obtidas pela reportagem da Folha via Lei de Acesso à Informação.

Ao todo, foram gastos R$ 7,1 milhões, ante os R$ 5,3 milhões no ano anterior. O valor é superior aos R$ 5,5 milhões gastos em média desde 2012.

As viagens têm de ser autorizadas pela Mesa Diretora, que cobra do congressista uma justificava para a despesa.

O deputado que mais viajou foi o presidente da Comissão de Turismo, Newton Cardoso Jr. (MDB-MG). Em menos de um ano, ele participou de 14 missões oficiais a um custo de R$ 179,2 mil, dos quais R$ 90 mil só com a compra de passagens aéreas.

Em quatro voos, o congressista pediu upgrade da poltrona para a classe executiva.

Segundo o regimento interno da Câmara, têm esse direito ocupantes de outros cargos, como membros titulares da Mesa Diretora e presidentes de comissões permanentes.

Newton Cardoso Jr. é também o responsável pela passagem mais cara em 2019.

A Câmara pagou R$ 46,2 mil em um voo de classe executiva para o deputado acompanhar o Fórum de Economia do Turismo Global, realizado em Macau, na China, em outubro.

O custo médio de uma passagem para a cidade chinesa é de R$ 21,5 mil, de acordo com gráfico de preços do Google Flights.

No voo para Macau, ele teve direito a cabine privada e café da manhã personalizado com “uma variedade de doces, pães, frutas e cereais”, como descreve a companhia aérea.

No almoço e no jantar, além de salada, havia entrada, três alternativas de prato principal e três opções de sobremesas para escolher, vinhos, espumantes e drinques.

Em todas as viagens, o deputado mineiro não cumpriu corretamente a única obrigação: elaborar um relatório da missão oficial.

Newton Cardoso Jr. apresentou quatro resumos de suas viagens e em todos os documentos há trechos copiados da internet.

O relatório da viagem a Macau é o que tem mais trechos idênticos aos de sites. Os textos são encontrados no portal da Embratur, num jornal português e em uma reportagem de uma agência de notícias com sede na cidade chinesa.

Em um dos poucos trechos do documento não copiados, aparece a palavra missão escrita com apenas um “s” e em maiúsculas (“MISÃO”).

Em Macau, o congressista mineiro se encontrou também com representantes de holdings controladoras de cassinos para entender o impacto da legalização do jogo no turismo local. Ele participou de reuniões similares sobre regulação de jogos de azar em Las Vegas (EUA) e Lisboa.

Dados das despesas com passagens de deputados também foram divulgados pelo site Poder360.

A canonização de Irmã Dulce, em outubro, foi o evento que mais mobilizou deputados em uma única missão.

Ao todo, 37 parlamentares viajaram à capital italiana, sendo 25 bancados pela Casa. As passagens custaram de R$ 6.000 a R$ 30 mil.

Sete pediram upgrade à classe executiva para a cerimônia de santificação da freira baiana conhecida como Santa Dulce dos Pobres, por dedicar a vida a combater a pobreza e a desigualdade social.

Na lista estão bilhetes emitidos em nome do deputado José Rocha (PL-BA) e da deputada Soraya Santos (PL-RJ), que custaram cerca de R$ 30 mil cada um.

Rocha fez um relatório detalhado do ato de canonização. Já Soraya apresentou um relato da viagem apenas com a agenda do evento.

O regulamento interno da Câmara diz que o pedido de concessão das passagens tem de ser feito com a “devida antecedência da realização da viagem, com vistas à reserva das passagens e à obtenção de preços mais vantajosos”.

Procurado pela Folha, o presidente da Câmara disse que busca reduzir essas despesas.

“Aconteceu um aumento enorme do preço das passagens, incluindo aí a crise da Avianca, somado a isso o sistema das companhias aéreas tem uma política de ter um custo baixo para bilhete de turismo, o que acaba encarecendo o custo para aqueles que compraram com pouca antecedência”, disse Maia.

“No final do ano, conseguimos terminar uma licitação com as companhias aéreas, o que vai reduzir o custo de compra e mudança de data de voo”, afirmou.

Em agosto, para uma plateia composta por empresários e lideranças locais em Santa Catarina, Maia defendeu que os políticos façam uma autocrítica e mostrem produtividade.

“Está na hora de a gente cobrar eficiência. Estou na política para isso. Se não for isso que a sociedade quer, eu prefiro voltar então para a iniciativa privada”, disse.

“Precisamos ter a coragem de dizer: esse Estado do tamanho que ficou não nos representa. A política se enganou nos últimos anos, e eu fiz parte disso”, afirmou.

Sob a gestão de Maia, a Câmara aprovou mudanças na regulação das passagens aéreas. As alterações permitiram a cobrança por mala despachada e marcação de assento sob a justificativa de que isso deixaria as viagens mais baratas.

Sobre o upgrade à classe executiva, José Rocha disse que é idoso e tem osteoporose.

Procurados, Newton Cardoso Jr. e Soraya Santos não se manifestaram até a publicação deste texto.

*Folha

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