Advogado, presidente da CCJ integra defesa de condenado no mensalão

O deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), presidente da Comissão de Constituição e Justiça

Presidente da comissão da Câmara dos Deputados que analisa a denúncia contra o presidente Michel Temer, o advogado criminalista Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) divide a atividade parlamentar com a defesa de réus em ações penais, e tem um rol de clientes que inclui políticos e empresários.

Pacheco também é listado em ações no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TRF (Tribunal Regional Federal) como defensor de um dos condenados no processo do mensalão, o ex-diretor do Banco Rural Vinicius Samarane, embora afirme que deixou o caso ao sair do escritório de advocacia que integrava até 2016.

Neste ano, Pacheco não assinou as peças protocoladas na defesa do caso. No entanto, nunca pediu nos autos, oficialmente, a saída do caso.

“Desde meu desligamento, não mais sou responsável pela defesa das causas patrocinadas pelo escritório”, afirma, em nota à Folha.

Outro ex-diretor do banco, Francisco de Assis Morais Pinto Coelho, aparece como cliente de Pacheco em tribunais, assim como réus acusados em ação penal de ajudar o publicitário Marcos Valério na evasão de divisas.

A prática da advocacia não é proibida pelo regimento da Câmara, que impede apenas que deputados tenham contratos com agentes públicos.

A CCJ (Comissão de Constuição e Justiça), que Pacheco preside desde março é o maior e mais importante colegiado da Câmara. Todas as matérias em tramitação precisam ser analisadas por ela.

Entre os clientes de Pacheco em processos com tramitação recente, estão o deputado estadual mineiro Tiago Ulisses (PV), prefeitos do interior e membros de empreiteira alvos da operação que prendeu o ex-presidente do PSDB-MG, Narcio Rodrigues.

GRANDE LIMITAÇÃO

Procurado, o deputado diz que exerce hoje a profissão com “grande limitação”, por causa do cargo que ocupa, mas que atua em atividade lícita e dentro dos limites determinados por Câmara e OAB. “Há deputados médicos, empresários, jornalistas e radialistas. Eu sou advogado, tenho a minha profissão e posso exercê-la”, afirma.

O deputado diz que espera retomar a atividade de criminalista plenamente “depois de contemplada essa fase política” da sua vida.

Pacheco, que está em seu primeiro mandato no Legislativo, deixou o antigo escritório antes de concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte no ano passado. Financiou em R$ 4,6 milhões a própria campanha e teve ajuda extra de colegas, inclusive do ex-sócio.

Próximo do vice-governador Antônio Andrade (PMDB), Pacheco tem sido cogitado para a disputa do Senado ou governo de Minas em 2018. Em fevereiro, ele esteve cotado para ocupar o posto de ministro da Justiça quando Alexandre de Moraes deixou o cargo ao ser nomeado para o Supremo.

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