Alckmin defende Tasso no comando do PSDB e programa crítico a Temer

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu nesta segunda-feira o programa do PSDB veiculado na TV na semana passada e também a permanência do senador Tasso Jereissati na presidência interina do partido até a eleição interna marcada para dezembro. O tucano paulista confirmou que foi consultado sobre a linha da propaganda partidária antes ela ir ao ar.

— O programa fez uma autocrítica adequada. Ela não é dirigida pessoalmente a ninguém, mas ao modelo político. Algum brasileiro está satisfeito com o modelo político que nós temos? A primeira coisa para reformar, mudar e corrigir é reconhecer o problema — comentou o governador, após participar de um evento ao lado do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, do PMDB, na capital paulista.

O uso da expressão “presidencialismo de cooptação” na propaganda tucana para se referir ao governo federal numa crítica indireta à política do presidente Michel Temer (PMDB) de distribuição de cargos em troca de votos no Congresso aprofundou a divisão no partido e pegou de surpresa a ala governista do PSDB, liderada pelo senador Aécio Neves. As informações são de Silvia Amorim, O Globo.

O clima piorou após encontro entre o tucano mineiro e Temer na sexta-feira passada. Tucanos desconfiam que Aécio esteja planejando tirar Tasso da presidência interina do partido para colocar no cargo alguém mais alinhado ao Planalto. Oficialmente, Temer e Aécio se reuniram para tratar da venda da Companhia Energética de Minas (Cemig).

Alckmin evitou entrar em confronto com Aécio, diferentemente do que fez o presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, Mario Covas Neto, no domingo. O governador classificou como “natural” encontros entre o mineiro e o presidente Michel Temer para discutir assuntos de Minas Gerais. Mas ele demonstrou, nas entrelinhas, contrariedade se Aécio, que está afastado da presidência do PSDB, estiver tratando de questões internas do PSDB com o peemedebista.

— O PSDB tem presidente. É o Tasso Jereissati — respondeu ao ser perguntado se era adequado o senador discutir com Temer a crise tucana.

Alckmin também condenou alterações de última hora que venham a ser feitas no comando do partido.

— A questão da direção partidária já foi resolvida. O Aécio já se afastou e o Tasso já assumiu e vai conduzir bem. Nós definimos o calendário (das convenções internas). Em outubro teremos as convenções municipais, em novembro, as estaduais, e em dezembro a convenção nacional. É um bom calendário – disse Alckmin, se contrapondo às articulações para substituir Tasso por um tucano da ala governista do PSDB.

No melhor estilo alckmista, o governador recorreu novamente ao discurso conciliador.

— Sou da tese que devemos brigar pelo principal e não pelo acessório. Tem que ter foco num projeto maior e sair de brigas para unir o país.

 

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