Alckmin diz não ter motivos para comemorar desistência de Huck

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) lamentou a decisão do apresentador Luciano Huck de desistir da candidatura à Presidência. Considerado um dos beneficiados pela saída de Huck do páreo, Alckmin afirmou nesta sexta-feira que não vê razões para comemorar a desistência de uma candidatura.

— Nunca é bom alguém deixar de se candidato. Eu entendo a política de forma diferente, nós devemos estimular novas lideranças, não desestimular. Mas é uma decisão pessoal — disse.

Apesar da fala de Alckmin, a saída de Huck da corrida eleitoral foi recebida com alívio por aliados do tucano. O apresentador disputaria eleitores no mesmo campo político de Alckmin e já aparecia nas pesquisas com o mesmo patamar de intenções de voto do pré-candidato. Em público, o governador disse que apoiava a entrada de Huck na política, mas, reservadamente, temia os efeitos disso para seu projeto político.

Nesta sexta, o governador desconversou sobre a ideia de um possível apoio de Huck à sua candidatura, pelo menos por ora. Segundo ele, esse ainda não seria o momento para esse tipo de discussão. As informações são de DIMITRIUS DANTAS – O Globo.

— Tudo tem seu tempo — afirmou o governador.

O governador falou após a inauguração das obras da integração entre a estação de trem Morumbi com a futura estação do monotrilho. Alckmin planeja inaugurar novas estações até abril, quando deve renunciar do cargo para concorrer à Presidência.

Nas últimas semanas, o governador, provável candidato do PSDB à Presidência, viu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elogiar publicamente uma potencial candidatura de Huck. Alckmin, no entanto, evitou se contrapor ao apresentador. Nesta sexta-feira, repetiu que Luciano Huck é um líder e que tem espírito público.

— Ele tem preocupação com os problemas do Brasil. Ele decidiu não ser candidato, mas há inúmeras maneiras de ajudar o país, no debate de ideias — afirmou.

Com sua saída para disputar a eleição, o governo de São Paulo será assumido pelo seu vice, Márcio França (PSB). Alckmin disse que não tem conhecimento de qualquer movimentação para que o vice se filie ao PSDB para tentar a reeleição. De acordo com o governador, os tucanos caminham para ter candidato próprio. Mais tarde, em entrevista à “Rádio Bandeirantes”, Alckmin afirmou que deverá apoiar o candidato do seu partido.

— Tenho grande respeito pelo Márcio França, a candidatura dele é legítima, mas o PSDB deve ter candidato — disse.

Ao menos quatro pré-candidatos participam de uma disputa interna pela posição, que deve ser escolhida via prévias. O prefeito João Doria tenta adiantar a consulta aos filiados para poder renunciar da Prefeitura com a candidatura já assegurada. Os outros três pré-candidatos, José Aníbal, Luis Felipe D’Avila e Floriano Pesado, no entanto, querem que a votação ocorra após abril.

INTERVENÇÃO NO RIO

Alckmin, no entanto, evitou se posicionar sobre a data das prévias. Em tom de candidato, falou longamente sobre segurança pública quando questionado sobre a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. O governador aproveitou para defender a criação de um ministério específico para a Segurança Pública, projeto já estudado pelo Palácio do Planalto, e a divisão da responsabilidade na área entre as esferas federal, estadual e municipal. Para ele, a decisão de Michel Temer foi extrema, porém necessária.

— É uma medida necessária. Mas também precisamos agir nas causas desse problema — disse.

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