Alckmin prioriza segurança para crescer no Nordeste

Presidenciáveis 2018

Com a escolha de uma prefeita que é ex-delegada da Polícia Federal para a equipe que elabora seu programa de segurança pública, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) tenta aumentar suas intenções de voto no interior do Nordeste com a bandeira do combate à violência.

Além de o número de mortes ter estourado em cidades de médio porte da região nos últimos anos, o problema tem sido incorporado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), adversário de Alckmin na campanha ao Palácio do Planalto.

Raquel Lyra (PSDB), 39, se elegeu com a promessa de tornar mais segura a cidade de Caruaru, no agreste pernambucano, que tinha uma taxa de 60 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2016, segundo os dados mais recentes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O município tem 360 mil habitantes.

Em comparação, a proporção no Rio de Janeiro era de 25/100 mil no mesmo ano.

Ela se junta ao professor de relações internacionais da USP Leandro Piquet e ao general do Exército João Campos na tarefa de elaborar um texto que apresente soluções para um problema que deve ser um dos principais pontos de discussão da eleição. José Marques – Folha de são Paulo

Adicionalmente, é apoiadora de Alckmin em uma região cujo candidato, no melhor cenário do Datafolha, alcança 5% das intenções de voto. No pior, está com 2%.

“Ser do PSDB, ser mulher e ser prefeita no agreste de Pernambuco e no Nordeste brasileiro não é uma coisa simples, e talvez seja por isso que ele tenha me escolhido”, diz Raquel Lyra, numa sede de prefeitura decorada com imagens que remetem à literatura de cordel.

Junto com Piquet, que conheceu no gabinete do senador Armando Monteiro (PTB-PE), pré-candidato ao governo pernambucano apoiado pelos tucanos, a prefeita afirma que ajudará a elaborar o programa não como especialista, mas “como uma gestora que está lidando com segurança pública na sua cidade e buscando trazer do governo municipal seu papel para o apoio da segurança pública”.

De sua parte, defende que haja um indicador único, nacional, sobre violência. Segundo ela, hoje cada estado usa parâmetros diferentes para levantar as estatísticas.

“Se a gente fizer um mapa disso, podemos ter um cruzamento de onde está ocorrendo a violência e buscar trabalhar as causas dela”, afirmou.

A prefeita também negocia uma visita de Alckmin à região para apresentar suas ideias. A pré-campanha do candidato diz que a viagem está prevista para a sexta (22) ou sábado (23). O ex-governador de São Paulo deve ir ainda, no mesmo dia, à cidade de Campina Grande (PB), também governada por um tucano.

A viagem será feita no ápice da comemoração de São João nas duas cidades, que disputam o título de maior festa junina do país.

Assim como Raquel, Romero Rodrigues, o prefeito da cidade paraibana, acha que a presença de Alckmin é importante porque a pauta de segurança pública na região tem sido dominada por apoiadores de Bolsonaro e ocupa espaço entre eleitores tradicionalmente tucanos.

Campina Grande, ao contrário da maioria do Nordeste, votou majoritariamente em candidatos do PSDB nas últimas eleições presidenciais, como Aécio Neves em 2014 e José Serra em 2010.

“O desempenho de Alckmin na segurança [de São Paulo] foi bom. Ele pode vir e mostrar isso. Bolsonaro está mostrando entusiasmo em relação à segurança, mas se você for olhar pela questão técnica, Alckmin é quem tem mais capacidade formal e profissional”, diz Romero.

Raquel Lyra tem posicionamento semelhante. “Não é um debate fácil, a gente tem uma presença de Lula muito forte, e esse espaço, mesmo com a provável ausência dele das eleições, não consegue ser ocupado por ninguém, salvo um crescimento de Bolsonaro que me preocupa muito”, afirma.

Segundo ela, o pré-candidato do PSL apresenta soluções fáceis para um problema que não é resolvido facilmente.

“O indicador de São Paulo é de nove [homicídios] por 100 mil habitantes. É preciso vir aqui. São realidades distintas, temos uma renda muito mais baixa que o estado de São Paulo, mas é um caminho a ser trilhado”, diz a prefeita.

Em Caruaru, o problema ainda persiste, mas houve uma redução de 131 homicídios nos quatro primeiros meses do ano passado para 81 este ano, segundo dados do governo pernambucano.

Raquel elenca a criação de conselhos de segurança em bairros e ações localizadas para redução da insegurança como fatores que contribuíram para os números, mas a melhora nas estatísticas também contou com reforço do governo do estado –de oposição– que tentará reeleger Paulo Câmara (PSB).

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: