Bancos de leite registram baixa de até 40% nos estoques

Os estoques dos bancos de leite em maternidades de Natal e da Grande Natal registram baixa de até 40%, em janeiro. O índice é registrado na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) na capital, enquanto que na Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, a baixa é de cerca de 30%. O cenário, de acordo com responsáveis pelos respectivos bancos de leite, se deve à temporada de férias, quando muitas doadoras costumam seguir para o litoral em busca de descanso.

A nutricionista Gabrielle Mahara, que integra a equipe multiprofissional do Banco de Leite da MEJC, afirma que a maternidade mantém, em média, 50 doadoras mensais. Não houve redução neste número, mas as captações registraram baixa. “Observamos, desde o final de novembro do ano passado, uma diminuição das captações, que hoje está entre 30% e 40% daquilo que é a nossa normalidade. Essa queda reflete a sazonalidade das doações e deve aumentar até o Carnaval”, explica a nutricionista.

“Em dezembro, com a festas de fim de ano e, depois janeiro e fevereiro, por causa das férias escolares, as doações diminuem com a ida das famílias para casas de veraneio. A gente estimula que as crianças mamem até os dois anos e como estão mais em casa neste período por causa das férias, consomem mais o leite materno. Lembrando que a doação é feita com o leite excedente. Aqui não temos uma baixa de doadoras, e sim de captações, por essas razões que eu mencionei”, acrescenta Gabrielle Mahara.

No Banco de Leite da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, a redução do estoque é de 30%, mas o número de doadoras também caiu. “Geralmente, temos mais de 25 doadoras por mês. Em janeiro, são cerca de 10”, afirma a educadora em Saúde e responsável interina pelo banco de leite da unidade, Rosângela Vieira. Ela disse que a situação atual é considerada confortável, uma vez que a maternidade conseguiu bons estoques no final do ano. Mas a tendência é de que, com o Carnaval, os números de captações continuem a cair.

“Na quarta-feira [24], por exemplo, apenas duas doadoras haviam dado sinal para que os bombeiros passassem na casa delas para recolher o leite materno”, comenta Rosângela. As razões para a baixa, de acordo com ela, são as mesmas observadas na MEJC. “Muitas mulheres estão no litoral, por causa do período de veraneio e a gente tem essa redução”, fala. A coleta do leite materno é feito pelas equipes das unidades em parceria com o programa Bombeiro Amigo do Peito, do CBMRN.

Em Parnamirim, as equipes fazem a captação às terças e quintas-feiras. Na MEJC, ela ocorre em quase todos os dias úteis, com exceção da quarta-feira. Além disso, a Januário Cicco conta com postos de coleta vinculados ao próprio Banco de Leite (BLH), como o Hospital Maternidade Araken Irerê Pinto, em Natal e o Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB), em Santa Cruz.

O BLH da MEJC, por sua vez, atende aos hospitais Varela Santiago, Unimed, Antônio Prudente, Araken Pinto, na capital, e HUAB, em Santa Cruz. Para doar, no caso da Januário Cicco, a mulher pode procurar o banco de leite da unidade ou pedir para que algum parente colha informações no local, onde são repassadas orientações de higiene em relação à extração do leite. Em seguida o cadastro é realizado.

Esse procedimento também pode ser feito por telefone (84 3342-5800) ou WhatsApp (84) 9 9135-8217. “Depois do cadastro e da avaliação para saber se a mulher está apta a doar, a gente faz um acordo de ela ligar para o banco quanto tiver leite disponível. Para isso, são entregues kits (frasco, etiqueta de identificação) para que a mulher faça a extração – a partir da primeira coleta, o leite dura 15 dias”, diz Gabrielle Mahara, da MEJC.
O leite deve ser acondicionado na geladeira. “Após encher o frasco, a mulher faz contato conosco e nós organizamos com os bombeiros a captação”, explica a nutricionista.

No Banco de Leite da Maternidade Divino Amor, o cadastro para doação pode ser feito de forma presencial por ligação ou via WhatsApp (para ambos, o número é 3272-4367). Não são aceitas mensagens de voz em caso de contato via aplicativo. “A mulher conversa com nossa equipe, que vai avaliar situações como exames do pré-natal e se ela está amamentando o filho, que é critério fundamental. É um processo bem simples”, afirma Rosângela Vieira.

A doação faz a diferença. A pequena Sara, de 17 dias nasceu prematura e por conta do baixo peso, precisou do banco de leite da MEJC enquanto a mãe recebia estímulos para conseguir amamentar. Na quinta-feira (25), a mamãe Geovana Gomes, de 27 anos, e a bebê tiveram um dia marcante: foi a primeira mamada da pequena. O momento serviu de incentivo e inspiração para Geovana. “Se conseguir, serei doadora. Quero ajudar a quem precisa. Com o colostro, minha filha vai ter todos os nutrientes que outro tipo de leite não tem. Quando ela pegou o peito, foi uma experiência única”, derreteu-se a mamãe.

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