Bolsonaro tem febre de novo, e médicos detectam pneumonia

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante caminhada no Hospital Albert Einstein na tarde desta quinta-feira (7/2)

Internado há 11 dias no hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a ter febre na noite desta quarta-feira (6), e uma tomografia detectou pneumonia. Ele permanece em uma unidade semi-intensiva, sem previsão de alta, e as visitas seguem restritas apenas a familiares.

“Apresentou, ontem [quarta-feira] à noite, episódio isolado de febre sem outros sintomas associados, foi submetido à tomografia de tórax e abdome que evidenciou boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia”, diz boletim médico divulgado nesta quinta-feira (7).

A detecção de pneumonia fez com que os médicos ampliassem o tratamento com antibióticos, iniciado no último domingo (3), quando ele teve febre pela primeira vez desde que foi submetido a uma cirurgia de reconstrução de trânsito intestinal, no dia 28 de janeiro.

O cirurgião Antonio Luiz Macedo, um dos responsáveis por cuidar da saúde do presidente, disse à Folha que o aumento dos antibióticos fará com que o presidente permaneça pelo menos mais sete dias internado.

Inicialmente, a equipe responsável pela operação estimava alta após dez dias, que foram completados na quarta-feira (6). Folha de São Paulo

O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse que a febre foi em torno de 38 graus e que exames médicos destacaram a possibilidade de infecção viral. 

“Os médicos acharam por bem acrescentar à antibioticoterapia um novo componente, uma nova droga, de forma que esse espectro possa ser ainda maior e têm a convicção de que essa ação vai debelar essa pneumonia que foi encontrada no seu pulmão”, disse.

De acordo com Rêgo Barros, o presidente se mostrou triste quando foi detectada a pneumonia, mas recuperou em seguida o ânimo, dizendo que ele fez brincadeiras com enfermeiros do hospital.

“O estado de animo do presidente é de alguém que está agarrado à sua cura”, disse. Ele acrescentou que o presidente expressou vontade de comer bife com batata frita quando puder voltar a se alimentar normalmente.

Ele descartou que haja preocupação dos médicos com a saúde do presidente.

“Não me pareceu, segundo eu conversei com os médicos, uma alteração do nível de preocupação. Eles são uma equipe extremamente experiente”, disse.

O porta-voz informou ainda que Bolsonaro está com dificuldades para dormir e que os médicos estudam auxiliá-lo na melhora da qualidade do sono, mas não especificou se ele será medicado.

O boletim informou que o presidente está “sem dor, com sonda nasogástrica, dreno no abdômen e recebendo líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral”. O texto diz ainda que, nesta quinta-feira, o presidente caminhou pelo corredor e realizou exercícios respiratórios.

Segundo o general, os médicos estão tratando paralelamente as recuperações da cirurgia em si e da pneumonia.

Ele disse que a descoberta da infecção não vai mudar, por exemplo, a reintrodução alimentar de Bolsonaro.

Desde a cirurgia, sua nutrição é feita de forma endovenosa e nos últimos dois dias ele passou a ingerir também água.

Pacientes neste caso têm reintrodução alimentar gradativa: inicialmente são ingeridos líquidos, depois passa-se para o estágio pastoso e, só ao final são permitidos alimentos sólidos.

A alta médica costuma ocorrer apenas quando há evacuação ao fim desse processo alimentar, o que mostra o funcionamento normal do intestino.

Por meio das redes sociais, Bolsonaro compartilhou vídeo no qual o porta-voz fala sobre seu estado de saúde e procurou tranquilizar seus seguidores. “Cuidado com o sensacionalismo. Estamos muito tranquilos, bem e seguimos firmes.”​

Segundo médicos ouvidos pela Folha, o presidente tem uma infecção hospitalar, neste caso uma pneumonia, agravo que manifesta após 48 horas de uma internação, geralmente com mais de sete dias.

Diferentes hipóteses poderiam explicar o surgimento da pneumonia, como o próprio uso da sonda nasogástrica. Por exemplo, o paciente faz microaspirações do conteúdo gástrico, que vai direto para o pulmão, causando a infecção.

A internação prolongada é um outro fator de risco. Um organismo debilitado, recém-operado, recebendo antibióticos e sem se alimentar por boca, deixa o sistema imune comprometido. As bactérias do hospital, assim, conseguem infectar o paciente.

Isso tudo se chama “morbidade”. São pequenos agravos de saúde associados a uma internação. Em geral, essas pneumonias hospitalares (ou nosocomiais) ocorrem por bactérias e têm boa resposta aos antibióticos. “Agora é chumbo grosso”, disse um infectologista, referindo a antibióticos que conseguem debelar bactérias mais resistentes.

De acordo com os médicos, é pouco provável que seja uma pneumonia viral, como aventou o porta-voz da Presidência. “Se é viral por que mudar o antibiótico. Antibiótico mata bactéria, não vírus”, disse um deles.​

RELEMBRE O CASO DO PRESIDENTE

Bolsonaro foi submetido à cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada de uma bolsa de colostomia no dia 28 de janeiro, segunda-feira passada.

Na ocasião, os médicos mudaram a técnica prevista inicialmente e tiveram que fazer um procedimento mais complexo do que era esperado.

Um trecho do intestino, que estava ligado à bolsa que recolhia as fezes havia quase cinco meses, foi retirada e descartada.

Com isso, decidiu-se ligar o intestino grosso ao delgado diretamente. Por esse motivo, o processo foi mais longo do que o esperado, e três a quatro horas, e durou sete. 

Essa foi a terceira operação pela qual ele passou desde que foi alvo de uma facada, em setembro de 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Nos primeiros dias seguintes à cirurgia, o presidente mostrou boa recuperação.

No último fim de semana, contudo, ele teve uma parada do intestino, além de ter náuseas e vômitos. Isso fez com que os médicos decidissem colocar uma sonda nasogástrica para a retirada de líquido acumulado no estômago, que provocava enjoo.

Um aumento de temperatura no domingo também fez com que os médicos iniciassem um tratamento de amplo espectro com antibióticos, o que provocou o primeiro adiamento da alta.

Isso ocorreu ao mesmo tempo em que foi descoberto um acúmulo de água na cavidade abdominal, exigindo a colocação de um dreno no local. 

A descoberta da pneumonia levou os médicos a ampliar a quantidade de antibióticos, exigindo um recomeço do tratamento que dura, no mínimo sete dias.

O porta-voz, os exames de imagem detectaram normalidade na recuperação do intestino, onde foi realizada a cirurgia. Ele não quis dizer quais as prováveis causas da pneumonia.

“Ficar na suposição não me parece adequado, não vou citá-las”, disse, acrescentando que os médicos têm algumas hipóteses.

Embora o Palácio do Planalto tenha montado uma estrutura de despachos ao lado do quarto do presidente, ele segue com visitas restritas a familiares.

Além da primeira-dama,  Michelle, os filhos Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estiveram com o presidente nesta quinta.

Por telefone, ele conversou com os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Economia, Paulo Guedes.

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