Brasileiro está entre os mais ‘preguiçosos’ do mundo

Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Stanford revelou que o brasileiro está entre os povos com menos atividade física do mundo. Analisando dados capturados por um aplicativo de smartphone que conta o número de passos dados, o estudo, publicado esta semana na revista “Nature”, mostra que o país ocupa a 40ª posição no ranking, de um total de 46 países avaliados.

 Foram avaliados dados anônimos de 717.527 usuários do aplicativo Argus, que usaram o contador de passos por pelo menos dez dias. As informações se referiam a 111 países, mas foram considerados apenas os 46 com mais de mil usuários. Na média, os usuários dão 4.961 passos por dia, distribuídos ao longo de 14 horas. Os resultados mostram que o povo mais ativo é o de Hong Kong, com média de 6.880 passos diários, seguidos por China, com 6.189, e Ucrânia, com 6.107.

Na outra ponta estão os indonésios, com média de 3.513 passos diários, os sauditas, com 3.807, e os malaios, com 3.963. Os brasileiros ficam pouco acima, com média de 4.289 passos diários. Além da curiosidade, esses dados fornecem informação valiosa para políticas de saúde pública.

— O big data não é apenas sobre números, mas também sobre padrões que podem explicar tendências de saúde — disse Grace Peng, diretora do Instituto Nacional de Imagem Biomédica e Bioengenharia dos EUA, ligado aos Institutos Nacionais de Saúde. — A ciência de dados e modelagem podem ser ferramentas imensamente poderosas. Elas pode ajudar no aproveitamento e análise de dados personalizados que coletamos de telefones e dispositivos vestíveis.

Os dados coletados são anônimos, mas fornecem informações de idade, sexo, peso e altura dos usuários. Com as informações, os pesquisadores aplicaram o Índice de Gini, usado por economistas para medir a concentração de renda, e calcularam a desigualdade de atividade física da população de cada país.

— Esses resultados revelam quanto de uma população é rica em atividade, e quanto da população é pobre em atividade — explicou Scott Delp, pesquisador de Stanford e coautor do estudo. — Em regiões com alta desigualdade de atividade existem muitas pessoas que são pobres em atividade, tornando o índice um forte preditor de problemas de saúde.

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