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Campeão olímpico, Ítalo Ferreira inspira crianças de Baía Formosa no surfe: ‘Quero chegar onde ele chegou’

Ítalo Ferreira ao lado de Matheus Jhones, aos 6 anos, no mar de Baía Formosa (Arquivo) — Foto: Cedida

Dono da primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio – e primeira na história do esporte nos Jogos Olímpicos – o surfista potiguar Italo Ferreira, de 27 anos, é inspiração para crianças e adolescentes da pequena Baía Formosa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte.

A cidade com pouco mais de 9 mil habitantes já conta com novos talentos que sonham seguir a mesma trajetória do conterrâneo campeão mundial e olímpico.

Em Baía Formosa, Matheus Jhones, de 8 anos, se inspira em Ítalo Ferreira — Foto: Cedida

Em Baía Formosa, Matheus Jhones, de 8 anos, se inspira em Ítalo Ferreira — Foto: Cedida

É o caso de Matheus Jhones, que nasceu e cresceu no município e mora à beira-mar. Aos 8 anos de idade, ele já é surfista profissional, agenciado por Luis Pinga – o mesmo que descobriu Ítalo aos 12 anos de idade.

“Eu chorei vendo o hino nacional. Eu quero chegar onde ele chegou, ser campeão mundial e olímpico, não perder o foco”, diz Matheus

O menino conta que se inspira nas manobras do ídolo, especialmente os aéreos. “Já surfei com ele. Ele já me empurrou nas ondas”, revela, orgulhoso.

Aos 7 anos, Hanna Cattleya que também mora no município, divide o tempo livre entre brincadeiras e surfe e diz que o estilo de Ítalo “é bem legal”.

“Eu quero ser igual a ele, quando crescer”, diz.

Hanna Cattleya, de 7 anos, quer ser como Ítalo Ferreira, quando crescer — Foto: Cedida

Hanna Cattleya, de 7 anos, quer ser como Ítalo Ferreira, quando crescer — Foto: Cedida

Instituto Ítalo Ferreira

Ítalo revelou no início do ano que vai criar um instituto no município de Baía Formosa. O projeto já tem até sede: a casa onde morava a avó dele, Dona Mariquinha – uma das principais inspirações do atleta, que faleceu há dois anos. O ídolo se emocionou ao lembrar dela, logo após conquistar o título.

“Eu queria que minha avó estivesse viva para ela ver isso. Para ver o que eu me tornei, o que eu consegui fazer pelos meus pais, por aqueles que estão ao meu redor. Não sei, não tenho palavras, só tenho a agradecer, realmente. É algo que eu almejei bastante, que eu sonhei. Tá lá do lado da minha cama essa frase que eu falei no início (“Diz amém que o ouro vem”). Todo dia eu orei às 3h da manhã, pedi a Deus que ele realizasse meu sonho. E taí, meu nome está escrito na história do surfe” disse Ítalo em entrevista à TV Globo.

Ítalo Ferreira, ouro no surfe, se emociona após vitória: ‘Queria que minha avó estivesse viva para ver isso’

O objetivo da entidade será dar oportunidade para as crianças do município que veem no surfe a possibilidade de ter uma vida melhor através do esporte.

“Com essa oportunidade, vou poder contribuir um pouco mais na evolução dessa nova geração. Poder ter esses garotos dentro do instituto, poder ensinar e mostrar a eles que é possível, que eles podem alcançar o objetivo também”, disse Ferreira na época do anúncio.

Italo Ferreira com Dona Mariquinha, a avó em quem ele se inspirava, em 2015 — Foto: Jocaff Souza/GloboEsporte.com

Italo Ferreira com Dona Mariquinha, a avó em quem ele se inspirava, em 2015 — Foto: Jocaff Souza/GloboEsporte.com

Com menos de 10 mil habitantes, Baía Formosa teve festa durante a madrugada desta terça-feira (27). A tensão da final do surfe em Tóquio – na primeira vez do esporte nas Olimpíadas – foi quebrada com comemoração e caminhada nas ruas.

“Não é fácil sair de Baía Formosa e buscar o ouro do outro lado do mundo, no Japão. Desde criança ele almejava uma medalha de ouro, um troféu do mundial e agora essa medalha de ouro”, disse o pai de Ítalo, Luiz Ferreira.

A mãe, Katiana Ferreira, não escondia o orgulho da conquista do filho.

“Ele batalhou muito para chegar onde ele quis. Primeiro foi o título mundial que ele tanto desejava e conseguiu, graças a Deus. E agora, esses dias que ele passou aqui, justamente foi para isso, para treinar, ficar entre família, entre amigos, e quando ele saiu, foi embora, ele me deu um abraço e eu disse: ‘meu filho, traz o ouro’. Ele disse: ‘mainha, eu vou trazer o ouro’. E conquistou essa vitória, graças a Deus”, relatou.

Quem é Italo Ferreira

Natural de Baía Formosa, litoral sul do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira se encantou pelo surfe aos 8 anos de idade, mas só ganhou a primeira prancha aos 10. Antes disso, surfava com pranchas emprestadas dos primos ou usava as tampas das caixas de isopor do pai, que vendia peixe na cidade, como prancha.

Os treinos no quintal de casa lhe renderam a primeira vitória aos 10 anos de idade em um campeonato local e, de lá para cá, foram muitos títulos nacionais e internacionais.

Italo Ferreira celebra medalha de ouro nas Olimpíadas — Foto: REUTERS/Lisi Niesner

Italo Ferreira celebra medalha de ouro nas Olimpíadas — Foto: REUTERS/Lisi Niesner

Foi bicampeão mundial Pro Júnior, campeão brasileiro em 2014 e, no mesmo ano, classificou-se para integrar a Liga Mundial de Surfe (WSL), a elite do surfe mundial. Já na primeira temporada, em 2015, Italo terminou como sétimo melhor do mundo e venceu o ‘Rookie Of The Year’ (o novato do ano).

Em 2019, Italo Ferreira foi campeão mundial da World Surf League (WSL), após uma vitória em Pipeline, no Havaí, sobre o bicampeão Gabriel Medina. Ítalo se tornou o terceiro brasileiro a conquistar o título mundial.

O circuito mundial foi suspenso em 2020 por causa da pandemia do coronavírus e por isso Italo Ferreira é o atual campeão mundial de surfe. Em 2021, ele é o segundo colocado no ranking, atrás apenas de Gabriel Medina.

Paraíso potiguar

Os títulos, prêmios e o reconhecimento profissional não fizeram Italo Ferreira sair de Baía Formosa. É na pequena cidade com pouco mais de 9 mil habitantes que ele vive até hoje.

Após as temporadas de competições é pra lá que ele sempre volta. “Aqui é um lugar especial, é onde tudo começou. Surfar aqui no Pontal é sempre espetacular. O mar é muito bom e as ondas são sensacionais”, disse o surfista em 2015.

 

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