CUT terá candidatos ao Congresso e gera ciúme entre petistas

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Deputado Vicentinho (PT-SP) seria uma das vítimas da decisão. Ex-presidente da central, Vicentinho nega qualquer preocupação

Para desespero de parlamentares petistas, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) decidiu lançar um candidato a deputado federal em cada um dos Estados brasileiros

Braço do PT em eleições passados e com capilaridade no mundo sindical, a central terá em 2018 seus próprios nomes ao Congresso.

A começar pelo presidente nacional da central, Vagner Freitas. Filiado ao PT e com domicílio eleitoral em São Paulo, ele concorrerá à Câmara dos Deputados no ano que vem.

Embora ninguém admita publicamente, os deputados petistas temem que a decisão da CUT desfalque sua atual bancada.

Segundo um deles, a central é um dos únicos sustentáculos de candidaturas da legenda.

Freitas tenta minimizar o problema, alegando que a intenção da CUT é se somar à bancada de parlamentares que lutam contra as reformas. As informações são de CATIA SEABRA, Folha de São Paulo.

“Não somos adversários. Continuaremos apoiando a candidatura de quem defende o trabalhador”, diz.

Segundo ele, a CUT brigou muito nas ruas, mas os direitos foram retirados numa “penada”. Em seus discursos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem insistindo para que os trabalhadores ampliem seu espaço no Congresso Nacional.

Vagner diz, no entanto, que a decisão de lançar seus candidatos a deputados federal e estadual em todo o país é anterior à recomendação de Lula. Nasceu em um congresso da CUT realizado há três anos.

“Não somos contra os 100 [aliados do PT na Câmara]. Somos contra os 413”, afirma Freitas, em alusão aos apoiadores da reforma trabalhista.

Nos cálculos petistas, o deputado Vicentinho (PT-SP) seria uma das vítimas da decisão. Ex-presidente da central, Vicentinho nega qualquer preocupação. Seus aliados estão, no entanto, defendendo que ele concorra ao Senado, poupando-se da disputa com outros candidatos apoiados por sindicalistas.

Para a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), a CUT terá como candidata Maria Izabel Noronha, a “Bebel”, que preside a Apeoesp, sindicato de professores.

Mesmo com a troca de afagos, o lançamento de candidatos embute um descontentamento de sindicalistas com a atual bancada petista.

Diretora-executiva da CUT e representante dos trabalhadores rurais, Elisângela Santos Araújo afirma que, por sua especificidade, nem sempre temas como agricultura familiar alcançam visibilidade, inclusive entre os parlamentares petistas.

“Nem com os próprios companheiros que ajudamos a eleger conseguimos obter ressonância”, diz ele.
Elisângela, que concorrerá à Câmara pelo Estado da Bahia, admite que a medida abala integrantes da atual bancada do PT. “Há um ciúme aí”, afirma.

O presidente da CUT do Piauí, Paulo Bezerra, declara que a central busca viabilizar candidaturas em todo o país diante da necessidade de presença de representantes da classe trabalhadora no Congresso Nacional.
Segundo ele, o Parlamento brasileiro é conservador. Afirmando que nem sempre se sente representado pela bancada petista, ele diz: “O conservadorismo não está concentrado apenas nos partidos de direita”.
Coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), José Maria Rangel diz que hoje o movimento sindical só tem três representantes na Câmara. Ele, que concorrerá a deputado federal pelo PT do Rio, chama de contradição que a classe trabalhadora seja sub-representada no Congresso.

Segundo Rangel, existem 25 mil petroleiros no Estado, além de 75 mil terceirizados, em geral eleitores de partidos de esquerda. “Quando há vácuo, ocupam espaço”, diz ele em referência à ausência de sindicalistas no congresso.
A CUT já tem candidatos definidos em Estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco.

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