‘De nada adianta mudar apenas a direção’, diz Guimarães ao propor reconstrução do PT

José Guimarães, deputado federal (PT-CE)

O deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder da minoria na Câmara, disse que o PT precisa ser “reconstruído” e apresentar um novo programa, além de um projeto de Nação. Vice-presidente do PT, Guimarães afirmou que o partido “não pode sair com a mesma cara” de seu 6.º Congresso, a ser aberto nesta quinta-feira, 1, em Brasília, segundo informações de O Estado de São Paulo.

“Temos que reconstruir o PT. De nada adianta mudar apenas a direção”, disse o deputado. “Não pode o PT realizar esse congresso e sair do mesmo jeito. O partido está tendo a chance de se reconstruir mais cedo do que imaginava porque a crise atingiu todos e o feitiço virou contra o feiticeiro”, emendou ele, numa referência às denúncias contra o presidente Michel Temer.

Guimarães integra a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), corrente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que é majoritária no PT. Ao falar em reconstrução, porém, o deputado adota expressão parecida com a usada pelo ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, que, após o escândalo do mensalão, em 2005, defendeu a “refundação” do PT.

À época, Tarso entrou em um confronto público com José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil que presidiu o PT de 1995 a 2002. Dirceu foi condenado a 32 anos e um mês de prisão em duas ações penais da Operação Lava Jato. Está solto por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Guimarães e Tarso estão em alas opostas no PT, já que o gaúcho lidera a corrente Mensagem ao Partido. Embora no discurso eles pareçam próximos, nos bastidores os dois grupos protagonizam uma disputa fratricida pelo poder.

“Precisamos fazer um pacto no PT pelas ideias. As tendências de hoje no partido estão burocratizadas. Não formulam, não dão diretrizes e, portanto, estão obsoletas”, argumentou Guimarães. Ao menos na retórica, trata-se de uma posição semelhante à de Tarso, que chegou a dizer que “esse PT que está aí chegou ao fim de um ciclo”.

Na avaliação do deputado,  o novo programa do partido precisa conter uma “redefinição” de horizontes. “Não pode ser nem a ‘Carta aos Brasileiros’, de 2002, nem somente agitação social, mesmo porque o Brasil é outro”, disse Guimarães, ao lembrar do documento que marcou a vitoriosa campanha de Lula, feito sob medida para atrair o mercado.

Para o líder da minoria na Câmara, o 6.º Congresso do PT – que vai até sábado – deve começar os debates sobre o projeto de Nação pela reforma política. Até agora, no entanto, nenhum dirigente do partido arrisca dizer qual será o rumo das discussões internas, diante das inúmeras divergências, nem se o encontro petista conseguirá aprovar um novo programa. Na prática, o PT está em busca de um discurso para se reerguer na cena política, após ser alvejado pela Lava Jato.

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