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De repente, não mais do que se repente, tudo empacou

Cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta. No caso, o voto da ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal, que considerou “inconstitucional” o Orçamento Secreto. Os demais ministros votarão hoje.

Se um deles pedir vista do processo, talvez André Mendonça, ministro “terrivelmente evangélico”, o julgamento será interrompido e só deverá ser retomado no próximo ano ou quando Mendonça quiser. O Supremo tem dessas coisas.

Parece haver maioria a favor do voto de Rosa. E caso se confirme, o presidente eleito Lula sairá no lucro porque contará com mais dinheiro para administrar depois que tomar posse, e o Centrão e seus sócios no negócio dentro do Congresso, no prejuízo.

Orçamento Secreto é uma fatia de bilhões de reais do Orçamento da União que Bolsonaro abriu mão de administrar em troca de apoio. É secreto porque parte desse montante é gasto com obras não identificadas em redutos eleitorais de deputados e senadores.

Até a identidade dos beneficiados fica escondida. É o relator do Orçamento da União que sabe de quem se trata. Mas são os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que determinam quem deve ser contemplado.

O Congresso entrou em estado de rebelião. Suspeita que Rosa votou de acordo com Lula. Promete retaliar atrasando a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Transição, dinheiro para que Lula possa começar a governar.

A PEC já foi aprovada no Senado, mas ainda será votada na Câmara. Se ali houver mudanças, ela terá de ser novamente votada no Senado. O impasse, por ora, está criado. Lula adiou o anúncio dos ministros da área política justamente por causa disso.

Ele precisa saber com quantos votos poderá contar na Câmara e no Senado antes de contemplar os partidos que anseiam por vagas no seu governo. É o toma-lá-dá-cá, única maneira de governar, aqui e em toda parte, quando não se conta com maioria no Congresso.

Metrópoles

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