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Dodge tem que se explicar sobre encontro com Temer, diz procurador da Lava Jato

SÃO PAULO, SP, 11.04.2017: FÓRUM-NEGÓCIOS - Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador da força-tarefa da Lava Jato, no segundo dia do Fórum Conformidade nos Negócios, promovido pela Folha de S.Paulo, no MIS em São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

Integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse nesta segunda-feira (14) que “encontros fora da agenda não são ideais para a situação de nenhum funcionário público” Ele se referia à reunião do presidente Michel Temer com a sucessora de Rodrigo Janot na PGR (Procuradoria-Geral da República), Raquel Dodge, que não constava na agenda presidencial.

Questionado a respeito do assunto em evento sobre compliance (atividades internas das empresas para evitar e detectar desvios) nesta segunda-feira (14), em São Paulo, o procurador citou a força-tarefa de Curitiba como exemplo e disse que recusou um encontro com Temer quando o peemedebista ainda era vice da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Nós mesmos [procuradores do Ministério Público Federal em Curitiba], às vésperas do dia da votação do impeachment, fomos convidados a comparecer ao Palácio do Jaburu à noite e nos recusamos, porque entendíamos que não tínhamos nada a falar com o eventual futuro presidente do Brasil naquele momento”, disse Lima.

Segundo ele, o Ministério Público foi contatado, à época, pelo ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures, que em junho deste ano foi preso ao ser filmado correndo com uma mala de dinheiro, após delação premiada da JBS. A gravação foi usada por Janot como prova na denúncia apresentada contra Temer por corrupção passiva. As informações são de José Marques, da Folha de São Paulo.

O contato de Loures com os procuradores e a rejeição foram relatados pela Folha em maio do ano passado.

Dodge se reuniu com Temer no último dia 7 e, neste domingo (13), afirmou que formalizou o pedido da reunião por e-mail, na véspera da sua realização.

O encontro não estava registrado na agenda do presidente, mas, segundo a secretaria de comunicação da Procuradoria, constava na de Dodge. Como ela ainda não assumiu o cargo de procuradora-geral, não tem a agenda pública. Em relação ao motivo da conversa, Dodge afirmou à Folha, que se reuniu com o presidente para discutir a data da posse no cargo.

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, “é claro” que a sucessora de Janot tem que se explicar. “Ela deu uma explicação e tem que ser cobrada pelas consequências desse ato”, disse.

Questionado se o encontro comprometia Dodge ou se as explicações eram satisfatórias, ele disse que a questão cabia ao corregedor do Ministério Público Federal.

“Eu posso dizer por nós. Nós tivemos uma situação semelhante e nos recusamos a comparecer. Nós temos agora que avaliar uma consequência dentro da política que o Ministério Público vai ter a partir da gestão dela”, afirmou Lima.

“Todo funcionário público é responsável pelos atos que tem. Infelizmente não há como fugir da responsabilização perante a sociedade.”

Na capital paulista, o procurador fez uma palestra sobre investigações anticorrupção, em fórum organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio).

MORO PRESIDENTE

Durante a palestra, Lima criticou o modelo de voto “distritão” aprovado em comissão da Câmara, em que os deputados mais votados são eleitos. Ele defendeu a renovação da política.

Refutou, no entanto, a possibilidade de o juiz Sergio Moro ser um dos nomes dessa renovação. “Eu sempre brinco com o doutor Moro, dizendo: ‘eu gosto muito de você, mas não votaria em você para presidente'”, disse Lima, sob risos da plateia.

“Para chegar à Presidência, [o candidato] tem que passar por todos os tipos de peneiras e funis que lhe dão capacidade para trabalhar em uma coisa tão difícil como ser presidente. Não basta ser juiz, não basta ser procurador. Mal dá para ser ministro da Justiça”, afirmou.

Em sua fala, Lima disse que se sente como a Pandora do mito grego, que abriu uma caixa que continha todos os males do mundo. Segundo ele, a Lava Jato expôs os problemas do Brasil e não dá para “voltar à ingenuidade anterior”.

Essa exposição, diz, pode ser usada para o mal ou para o bem.

Além do “distritão”, o procurador criticou o fundo de R$ 3,6 bilhões aprovado na comissão da reforma política da Câmara para financiar as eleições.

“A resposta que estão buscando agora é dinheiro público através de um fundo. Numa democracia avançada a gente poderia até discutir isso, mas atualmente acho que é incompatível com a situação que o Brasil está”, afirmou. “A outra solução seria diminuir o custo da política, mas isso não é do interesse do nosso sistema político.”

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