Doria não mudou nada de São Paulo e só faz sucesso no celular, afirma FHC

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na sede de seu instituto, em São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu nesta sexta-feira (23) que o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), faz mais publicidade do seu governo do que ações concretas.

Durante uma palestra para convidados do laboratório Alta, de medicina diagnostica, na capital paulista, ele fez uma análise sobre políticos modernos e o uso da tecnologia, e deu a declaração.

“Isso aqui está no meu bolso [celular], não está na minha alma. O mundo hoje tem isso aqui na alma. Pega qualquer um. Por que o prefeito de São Paulo está fazendo algum sucesso? Ele [se dedica] para isso o dia inteiro. Ele fez, mudou alguma coisa? Não vi. Mas aqui ele sabe”, disse.

FHC, que é presidente de honra do PSDB, afirmou que o partido precisa fazer logo a escolha de quem vai concorrer às eleições de 2018. Para ele, essa pessoa tem que ter capacidade de dialogar com o país e as instituições. As informações são da Folha de São Paulo.

Nesse sentido, ele defendeu um movimento de centro, como registrado na França com a eleição do presidente Emmanuel Macron, cujas características são a jovialidade e pensamento liberal progressista –algo que possa ser visto em Doria.

“Não estou propondo que seja ele [o candidato], não, mas acho que precisamos mudar de geração. Para poder fazer frente a esse mundo novo, precisamos de outra cabeça, outra geração, pessoas que possam se comunicar com os mais jovens e de maneira mais atualizada.”

Em Miami, nos Estados Unidos, onde participou de uma conferência de prefeitos americanos, Doria rebateu a crítica do ex-presidente. “Respeito muito o presidente FHC, mas acho que ele está precisando sair um pouco de seu apartamento e visitar São Paulo”, disse.

TEMER E LULA

Fernando Henrique criticou a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de livrar o presidente Michel Temer da cassação da chapa junto com Dilma Rousseff, e disse que o peemedebista poderia antecipar as eleições.

FHC ainda classificou como gravíssimo a possível denúncia por corrupção da Procuradoria-Geral da República contra o presidente, envolvido nas delações da JBS, dos empresários Wesley e Joesley Batista.

“Tem uma coisa que é inédita: o procurador-geral da República, baseado na Polícia Federal, se dispõe a mover uma ação contra corrupção contra o presidente da República. “Isso nunca houve. Uma coisa gravíssima”, afirmou o ex-presidente.

Ao falar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, FHC afirmou que só o restará vencer nas urnas, caso não haja condenações na Justiça em razão dos processos movidos contra o petista.

“Suponhamos que a Justiça diga que o Lula não fez nada. Ele é candidato -o único candidato possível do PT. Só resta vencer na urna. Ou então dar golpe. Eu sou contra golpe. Só resta vencer na urna. Só que não tem jeito. Preparemo-nos para isso. Para vencer”, afirmou.

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