Dos 170 novos leitos anunciados pela governadora, Mossoró receberá apenas 70

No último dia 30 de março, a governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou, durante reunião por videoconferência com a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que o Plano de Contingência instituído pelo Estado em meio à pandemia do novo coronavírus previa a instalação de 170 novos leitos em Mossoró. No entanto, além da previsão não se confirmar, o Governo reduziu a quantidade de unidades que deverão ser criadas no segundo maior município do Rio Grande do Norte: agora, a expectativa da gestão estadual é que apenas 70 leitos sejam abertos na cidade, de forma progressiva.

A informação foi confirmada ao JORNAL DE FATO pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP). “Nós temos um plano progressivo para chegar a 70 leitos de UTI e semi-intensivo (UCI) em Mossoró. Foram abertos 10 leitos de UTI já no Tarcísio Maia e serão abertos mais 10 nesta mesma unidade”, revelou a Sesap por meio de nota enviada à reportagem, acrescentando:

“Também pretendemos fechar parceria para abertura de mais 30 leitos, entre filantrópicos e privados, além de 10 leitos de UCI no Hospital Regional Rafael Fernandes, também localizado em Mossoró. Lembrando que essa proposta é progressiva e que estamos em constante diálogo com as autoridades públicas da cidade”.

Ainda na nota, a Sesap relatou que “em relação a equipamentos e insumos, não vem medindo esforços para abastecer suas unidades de referência para atendimento aos pacientes acometidos ou com suspeita de Covid-19. Nesse sentido, estão sendo realizadas chamadas públicas de urgência para garantir o abastecimento dos estoques. É importante ressaltar também a necessidade do uso consciente desses materiais nas unidades hospitalares, em virtude da dificuldade de encontrá-los no mercado mundial diante de situação de pandemia.”

A Secretaria não explicou o porquê da redução na previsão de instalação de leitos em Mossoró, justificando apenas que como a abertura será progressiva, nesse primeiro momento serão instalados 70 leitos, e novas unidades poderão ser criadas posteriormente. A Secretaria de Estado da Saúde Pública também não confirmou quando os novos leitos serão disponibilizados à população de Mossoró e região.

Na reunião com a prefeita Rosalba Ciarlini no último dia 30, a governadora Fátima Bezerra afirmou: “A perspectiva é que possamos criar 170 novos leitos. Mas, uma das principais pendências é o efetivo de médicos e equipes de enfermagem que possam dar conta da demanda. Convocamos os aprovados no último concurso e, devido à gravidade da pandemia, estamos trabalhando para viabilizar a contratação temporária de novos profissionais e suprir a necessidade dos hospitais”, disse.

O Governo chegou a discriminar os locais em que as unidades poderiam ser instaladas. “No Hospital Regional da Polícia militar serão criados 25 novos leitos. O Hospital São Luiz está em negociação para a criação de 20 leitos de UTI e mais 20 enfermarias. Já no Hospital Rafael Fernandes serão 18 leitos, enquanto que na Casa de Saúde Dix-sept Rosado serão 10 UTIs e 40 Unidades de cuidados intermediários (UCI/enfermarias). No Hospital Regional Tarcísio Maia serão 20 novos leitos de UTI e 7 UCI, além de mais 10 leitos de estabilização nas UPAs”, detalhou.

Na última terça-feira, 7, ao divulgar que 10 leitos de UTI estavam sendo abertos no Hospital Regional Tarcísio Maia, o Governo do RN já havia mudado a previsão do quantitativo e unidades que poderiam ser criadas na cidade, passando de 18 para 10 no Hospital Rafael Fernandes e de 50 para 22 no Hospital Maternidade Almeida Castro (Casa de Saúde Dix-sept Rosado), mantendo a quantidade prevista para o Hospital da Polícia Militar.

Rafael Fernandes

Em relação ao Hospital Rafael Fernandes, a própria direção da unidade informou, por meio de ofício assinado pelo diretor técnico Oscar de Lima no dia 30 de março, que não há condições atuais de receber pacientes para o tratamento do novo coronavírus. Segundo o documento, o hospital não foi preparado ao longo dos anos para receber a demanda local e regional e, mesmo com as medidas anunciadas pelo Governo do Estado, que prevê melhorar a estrutura da unidade, o atendimento será limitado.

“O hospital poderá receber uma quantidade de até 18 pacientes, se houver uma mudança na estrutura física, envio de equipamentos médicos e equipes completas com expertise em terapia intensiva”, afirma o documento.

O diretor técnico alerta, no ofício, que mesmo com atendimento das exigências acima, o Rafael Fernandes ficará sem retaguarda para tomografia, pareceres especiais e procedimentos complexos que certamente alguns pacientes irão precisar.

O Governo justificou que o Hospital Rafael Fernandes está recebendo a instalação de tomadas elétricas para os equipamentos específicos do tratamento da Covid-19, para ser utilizado durante a pandemia. “Serão mais 10 leitos para cuidados semi-intensivos. Falta fechar o quadro de pessoal técnico e de enfermagem. A previsão é de que possamos iniciar os atendimentos na próxima semana”, afirmou a assessora técnica da Sesap, Milena Martins.

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