Hospitais lutam para salvar mais de 40 vítimas de incêndio em creche de Janaúba

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Um tratamento complexo, delicado, que pode durar meses e exigir acompanhamento por mais de um ano. E, mais do que isso, um empenho enorme das famílias, que têm pela frente o desafio de dar suporte às vítimas do ataque do vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, na tragédia ocorrida na quinta-feira na Creche Gente Inocente, em Janaúba, Norte de Minas. Depois de passada a fase de urgência, em que as crianças e funcionários foram socorridos, internados e tiveram o quadro estabilizado, começa a batalha de vencer cada fase da recuperação.

Isso porque as queimaduras de segundo e terceiro graus, que atingiram grandes extensões dos corpos das vítimas, estão sendo controladas da fase aguda, mas tanto as lesões de pele quanto as de vias aéreas podem se agravar. “Não se pode dizer que, ultrapassada a fase de urgência, esses pacientes estejam fora de risco, pois o tratamento é prolongado, exige controle muito grande e depende da evolução de cada fase, porque os riscos vão mudando”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Regional Minas Gerais, Marcelo Versiani Tavares.

Segundo o médico, as ameaças incluem infecções pulmonares, quadros de desidratação, disfunções renais ou mesmo infecções na superfície da pele. “Quando as queimaduras são profundas e extensas, os pacientes precisam ser mantidos em centros de terapia intensiva, entubados, e somente após uma melhora do quadro é possível transferência para enfermaria”, explica. As informações são de O Estado de Minas.

Após essa etapa de maior complexidade, as vítimas com queimaduras de terceiro grau ou segundo grau profundo, que tiveram a derme destruída, precisam passar por processos para limpeza da área queimada, como preparação para enxertos de pele. A derme é uma camada espessa de tecido que fica abaixo da pele. “Esses processos são sequenciais, feitos paulatinamente, porque quando se remove o tecido destruído o paciente pode ter sangramento e anemia. Mas também não pode ser tardio, porque o quadro pode se agravar”, explica o médico.

Segundo o cirurgião, é difícil prever quanto tempo todas as etapas de recuperação podem exigir, pois tudo depende da condição clínica do paciente, da extensão e profundidade da queimadura. “Alguns ficam internados seis meses, em casos graves. Tudo vai depender se o paciente vai ou não desenvolver algum tipo de infecção.”

Passada a fase aguda do tratamento, as vítimas vão precisar de cuidados para reabilitação funcional e prevenção de queloides, com atendimento multidisciplinar que inclui nutrição especial, fisioterapia, enfermagem, psicologia, entre outros. No caso dos queloides, o especialista explica que devem ser usadas malhas de alta compressão, por tempo prologando, entre um e dois anos, e durante 24 horas. Elas só podem ser retiradas para higienização. “A recuperação, de agora em diante, é longa, delicada e complexa e a dor é tanto física quando psíquica e atinge vítimas e também as famílias”, ressalta Marcelo.

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