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Ivan diz que o Vale do Açu precisa de representante na Assembleia Legislativa

Ivan Júnior surgiu na política da cidade do Assú, a 60 quilômetros de Mossoró e 200 quilômetros da capital Natal, na segunda metade da década de 2000. Incentivado por movimentos sociais e outros segmentos da sociedade, aceitou a candidatura de prefeito nas eleições de 2008. Elegeu-se. Quatro anos depois, em 2012, renovou o mandato. Agora em 2018, ele deverá disputar um mandato de deputado estadual.

Ainda jovem na política, mas com a experiência de quem, além de prefeito, foi presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) e é o atual secretário estadual de Recursos Hídricos, Ivan Júnior acredita que uma possível postulação sua será aceita além da cidade do Assú. Ele não tem apadrinhamento de grupos políticos tradicionais nem tem projeto político-familiar, por isso, entende que pode ser o “novo”.

No final da manhã de quarta-feira, 3, Ivan Júnior tomou o “Cafezinho com César Santos”, na sede do JORNAL DE FATO em Mossoró. Admitiu a candidatura a deputado estadual, para representar as regiões do Vale do Açu, Salineira e Médio Oeste. Segundo ele, essas regiões precisam fortalecer a representatividade política.

O SENHOR, quando concluiu o segundo mandato de prefeito de Assú, em dezembro de 2016, tinha um projeto político encaminhado em nível estadual. Esse projeto passa por uma candidatura nas eleições deste ano?

A NOSSA região, o Vale do Açu, e as regiões Salineira, Médio e Alto Oeste têm a necessidade de ampliar o número de seus representantes, seja na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados ou mesmo no Senado Federal. É preciso fortalecer essas regiões, manter erguidas as bandeiras de luta, porque o interior do Rio Grande do Norte precisa de mais ações, precisa de mais investimentos, e isso, acredito, só será possível com uma boa e forte representação política.

MAS, o senhor será candidato?

TENHO recebido estímulos das pessoas para manter a bandeira de luta de fortalecimento da nossa região. Conhecemos as necessidades, temos a experiência de oito anos de gestão à frente da Prefeitura de Assú, para onde convergem os municípios do Vale. Então, as pessoas entendem que podemos fazer mais com um mandato eletivo. E recebi convite e incentivo para ser candidato a deputado estadual. Quero dizer que estamos analisando com muita responsabilidade, com muito carinho, para tomarmos uma decisão acertada. Acredito que temos as condições de realizar um trabalho muito forte em defesa da nossa região, em defesa do interior do estado, porque fomos prefeitos por oito anos e conhecemos de perto as demandas, projetos e necessidades dos municípios e do nosso povo.

ASSÚ já tem um político com mandato de deputado estadual, que é George Soares (PR), e outros deputados atuam no Vale do Açu. Mesmo assim, o senhor afirma que a região se ressente de legítimo representante. Os atuais detentores de mandato não têm respaldado a luta da região?

O QUE observamos hoje, de forma muito clara, é que o deputado que se diz da cidade do Assú (George Soares) deixa uma carência muito grande na legitimidade de defesa do povo de nossa região. A gente não vê esse parlamentar representando a região. Na verdade, o que existe é apenas um projeto político do grupo do qual ele faz parte. Por isso, o povo sente que é preciso ter um representante que realmente trabalhe por Assú e região. É com esse cenário que vejo a possibilidade de uma candidatura a deputado estadual.

MAS, existem outros deputados que se apresentam como representantes dessa região, como o deputado Nélter Queiroz, por exemplo. Não justifica a força do Vale?

O FATO é que o Vale perdeu em representatividade, por tudo que coloquei acima. Existem mandatos que cumprem apenas projeto político. É muito pouco. A nossa região já teve uma presença bem mais significante. Basta olhar para o passado, quando durante muitos anos tivemos dois ou três deputados estaduais na mesma legislatura, defendendo os interesses da população. Hoje, existe apenas um deputado com mandato e que tem muita dificuldade de representar a região. O Vale do Açu tem uma grande importância no aspecto socioeconômico do Rio Grande do Norte, com a fruticultura, carcinicultura, o sal, o petróleo e, acima de tudo, com a posição geográfica estratégica de relevo decisivo para o estado. Então, vejo que os detentores de mandato que atuam hoje na região têm uma posição exclusivamente política, e não de representantes legítimos da bandeira de luta da população.

QUAIS são as consequências para a população dessa suposta anemia de representatividade?

A REGIÃO tem perdido oportunidades por falta de representatividade. Veja a crise na indústria do petróleo, por exemplo. A Petrobras reduziu investimentos, a produção caiu, o desemprego aumentou, e não tivemos a força política para debater o grave problema. Houve apenas ações pontuais, mas que pouco ou nada produziram. Temos agora a energia solar e a energia eólica, que vêm crescendo na região, mas não há uma discussão profunda sobre essas novas atividades econômicas. Ninguém está discutindo a possibilidade de preparar a mão de obra local e regional para ocupar as vagas de empregos. Ninguém está lutando por cursos e qualificação profissional do nosso povo. Então, eu vejo que as oportunidades estão surgindo e estamos perdendo essas oportunidades pela falta de representantes regionais que possam entender a necessidade local.

O SENHOR quer dizer que falta uma voz do Vale do Açu para fazer as demandas regionais ecoar na Assembleia Legislativa?

EXATAMENTE isso. Os desejos e necessidades da população não têm um representante legítimo neste momento.

UMA provável candidatura sua a deputado estadual estará fincada no Vale do Açu ou senhor entende que é possível representar outras regiões?

NÓS temos sentimentos muito semelhantes com o Vale do Açu, Região Salineira, Mossoró, que é a principal cidade da Região Oeste, além do Médio e Alto Oeste. Conhecemos bem os anseios da população. Sabemos da necessidade de novos projetos que venham contemplar principalmente o desenvolvimento econômico regional. Por consequência, surgirão novas oportunidades, novos empregos e, claro, o desenvolvimento social. Vejo que tenho as condições para trabalhar e representar, de forma legítima, os anseios da população dessas regiões.

AS ELEIÇÕES de 2018 prometem ser diferentes, por tudo o que está acontecendo com a política e os políticos, principalmente sob o ponto de vista ético e moral. As pesquisas de opinião pública revelam que as pessoas estão querendo mudar, buscar novas alternativas. Nesse contexto, onde entrará o seu projeto político?

REALMENTE, atravessamos uma situação bem delicada. É uma crise nacional que afeta a todos. A classe política parece desacreditada por tudo isso que está acontecendo. É fato. Agora, na minha carreira política, como prefeito do Assú por dois mandatos consecutivos, eu sempre procurei estar sintonizado com o sentimento da população. Fiz isso também quando exerci o mandato de presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN). Então, essa questão de ser o novo envolve muito mais a forma de trabalhar do político, novos projetos que ele possa representar, do que propriamente o surgimento de um nome novo. Não tenho apadrinhamento de caciques políticos da minha região. Nasci para a política a partir do sentimento popular. Fui eleito e reeleito prefeito do Assú realizando um trabalho pautado na ética, no zelo com a coisa pública e na construção de uma nova política. Colhemos os frutos e agora temos o reconhecimento de que podemos representar a população com novo mandato eletivo. Eu não defendo um projeto político-familiar, mas sim, um projeto de interesse coletivo que possa fortalecer a economia, a saúde, a educação, as políticas públicas. Política, para mim, não é profissão nem herança familiar. Penso que isso é um diferencial.

O FATO de o senhor ter sido prefeito e presidente da Federação de Municípios, logo conhecendo de perto os problemas e necessidades dos gestores públicos municipais, pode colocá-lo como um candidato legítimo para defender a pauta municipalista?

EU NÃO vou levantar o discurso do municipalismo por entender que é uma bandeira interessante, de fácil penetração, que pode render votos etc., mas, sim, porque eu conheço na prática as dificuldades dos municípios. Eu vou mais além: não são as dificuldades dos prefeitos em si, mas a dificuldades dos municípios, que são os maiores castigados pela crise. O pacto federativo não sai do papel e as consequências disso afetam os municípios, principalmente de menor porte. Conheço bem essa realidade. Sempre defendi uma atenção especial aos municípios, porque é onde as pessoas vivem, onde as demandas são esperadas para melhorar a vida dessas pessoas. Acredito, então, que o fato de ter sido prefeito, ter conhecido de perto essa realidade, oferece as condições de melhor representar as pessoas na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

A BARRAGEM de Oiticica é a principal obra do sistema hídrico do Rio Grande do Norte, em andamento. O senhor, como secretário de Recursos Hídricos do Estado, tem acompanhado de perto. Como e quando a população regional vai contar com esse benefício?

AS OBRAS estão com mais de 65% de sua estrutura concluída. Não só de uma barragem, mas sim, um complexo, pois trata-se da construção da barragem, a construção de uma nova comunidade, que é a Barra de Santana, com mais de 1.500 pessoas atendidas, com centro comercial, estabelecimentos públicos etc.. Vale salientar que nós temos um novo formato de discussão dos movimentos sociais, a partir dessa obra, e que, certamente, servirá de modelo em nível nacional.

COMO assim?

NÓS temos um exemplo da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, o maior reservatório do Rio Grande do Norte, que quando foi construída, deixou muitas pessoas desamparadas. Essas pessoas foram removidas de suas terras e muitas delas até hoje não receberam indenização. Muitos tiveram de começar nova vida, sem um mínimo de estrutura, sem moradia, sem terra para produzir. Hoje, na barragem de Oiticica, estamos fazendo numa forma diferente, inovadora, porque mantemos diálogo permanente com as pessoas, buscando a melhor forma de atendê-las. As pessoas que estão sendo deslocadas para a nova comunidade e os agricultores que estão sendo levados para outras propriedades recebem todas as condições para conduzir as suas vidas. Estamos resolvendo mais de 90% das desapropriações, a partir da mesa de negociação permanente com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Tribunal de Justiça (TJRN) e outras instituições. Procuramos contemplar a todos, respeitando o valor da terra, garantindo o acesso à água e, principalmente, tendo o zelo, para que a barragem de Oiticica não se transforme em um grande espelho d’água para os ricos, mas sim que seja para todos. Também estamos preparando Oiticica para receber as águas da transposição do rio São Francisco. Vale salientar que se discute Oiticica desde 1930, depois em 1992 essa discussão ganhou dimensão e só em 2013 o Estado iniciou a obra, sendo que depois demos um grande salto nessa fase de execução. A obra ficará pronta agora em 2018.

Fonte: BLOG DO CÉSAR SANTOS

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