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Janot diz que sentiu ‘náusea’ ao ouvir gravação de Joesley com Temer

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, nesta quarta-feira, que sentiu “náusea” ao ouvir a gravação entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer, que integram a denúncia que será analisada pela Câmara dos Deputados e mostram negociações entre os dois que resultaram no pagamento de R$ 500 mil em propina para por meio do ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures.

— Eu fiquei chocado e senti náusea. Fiquei enjoado mesmo — disse Janot em entrevista ao jornalista Roberto D´Avila da GloboNews na noite desta quarta-feira. Ele acrescentou que as gravações não foram combinadas com a PGR.

— De jeito algum. Se o Ministério Público provoca qualquer ato de colaboração ele está anulando toda a delação. Essa gravação foi feita uns 30 dias antes de começarmos a negociar com essas pessoas – acrescentou. As informações são de O Globo.

Segundo ele, o acordo prevendo o perdão judicial aos empresários foi a única exigência deles e, diante de tantos fatos graves narrados pelos irmãos Joesley e Wesley Batista foi obrigado a aceitá-la, porque do contrário não teria como investigar os atos.

— Eles são criminosos e não perdem essa condição, são réus colaboradores… Eles aceitaram negociar tudo, menos a imunidade. Eles queriam ficar soltos – explicou Janot.

Segundo ele, a denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal tem uma forte narrativa, apesar de reconhecer que ainda terá que produzir mais provas para ligar a mala de dinheiro recebida por Rocha Loures ao presidente Temer.

— A denúncia tem a seguinte narrativa. Um empresário investigado em primeira instância por eventuais ilícitos praticados por ele. Tem uma conversa que ele grava com um ex-deputado federal acertando a ida dele à residência do presidente da República à noite, sem testemunhas. Ele chega ao palácio residencial e não é sequer identificado na porta. Ele entra, vai a uma sala que está na parte de baixo do Palácio e ele tem uma conversa muito pouco republicana com o presidente e nessa conversa o presidente indica como um interlocutor de confiança dele esse deputado federal com quem esse empresário tinha acertado a ida dele ao Palácio, porque os outros interlocutores estavam impedidos de continuar na interlocução…ele se entrevista dias depois com esse interlocutor,acerta alguns atos ilícitos com esse interlocutor, acerta o pagamento de propinas com esse interlocutor e depois é pilhado em São Paulo com uma mala contendo de R$ 500 mil. E esse interlocutor é a pessoa indicada como homem de confiança do mais alto dignatário da República para fazer negociações em nome dele. Essa narrativa é fortíssima. Se isso é fraco eu não sei o que seria forte — argumentou.

Segundo ele, ainda há duas investigações em curso que podem resultar em denúncias contra o presidente, negando que seja uma estratégia de fatiamento de denúncias.

— A investigação de obstrução de justiça está mais avançada que a de organização criminosa — disse em relação às duas outras apurações em curso que podem resultar em denúncia.

O procurador também disse que o seu pior dia no comando da PGR foi quando prenderam seu ex-colega, o procurador Ângelo Goulart Villela.

— Eu pedi que me informassem quando ele fosse preso. Quando me ligaram eu passei mal e vomitei quatro vezes — contou Janot.

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