JBS reduz abate e pecuaristas amargam excesso de gado

Os efeitos devastadores da delação premiada dos executivos da JBS já são sentidos em toda a cadeia produtiva de carnes do país e preocupam os pecuaristas. A crise começou antes mesmo de os depoimentos dos donos da companhia envolvendo o presidente Michel Temer virem a público, no mês passado: a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, sobre irregularidades em frigoríficos, já havia afetado a exportação de proteína animal do Brasil.

O escândalo das delações só fez agravar a situação: com a redução do abate pela JBS, o preço da arroba do boi caiu, e o gado lota os pastos, para desespero dos pecuaristas.

Os produtores nacionais têm enfrentado dificuldades para receber à vista pela venda do gado — a JBS determinou que todas as compras sejam pagas somente após 30 dias. Além disso, vários bancos estariam se recusando a receber as notas promissórias emitidas pelo frigorífico, com medo de calote, deixando os pecuaristas estrangulados, sem recursos. As informações são de O Globo.

Com a credibilidade afetada pela delação, muitos produtores só aceitam vender para a JBS à vista. O resultado é uma queda no total de bois abatidos e gado parado, lotando os pastos dos pecuaristas e dando prejuízo para aqueles que mantêm os animais confinados.

Enquanto isso, as principais concorrentes da JBS — Minerva Foods e Marfrig — não têm capacidade de processar a mesma quantidade de gado que era comprado pelo frigorífico. Procuradas, as duas empresas não quiseram comentar o assunto.

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