Kelps Lima afirma: “Primeiro ano da gestão Fátima Bezerra foi extremamente fraco”

Em seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o deputado estadual Kelps Lima, do Solidariedade, tem criticado com veemência a forma como a governadora Fátima Bezerra (PT) tem conduzido a proposta de reforma da Previdência potiguar. O parlamentar, ao saber que a chefe do Executivo não iria comparecer à leitura da mensagem anual na Assembleia, na última segunda, 3, registrou em vídeo sua indignação diante do que ele considerou “fuga” da governadora, que preferiu evitar protesto realizado pelo Fórum de Servidores, que é contra “as duras mudanças apresentadas por Fátima na reforma.”

O parlamentar chegou a afirmar que a governadora “deu um tiro nas costas do servidor que ela sempre iludiu”. Na entrevista dessa semana da seção “Cafezinho com César Santos”, Kelps reafirma as suas críticas, opina que Fátima sempre fez uma “oposição irresponsável” quando esteve no parlamento, destaca que é a favor do processo de reforma da Previdência, mas que ainda precisa analisar o texto que será enviado pela gestão estadual.

O deputado, que também é pré-candidato à Prefeitura do Natal, relata que está otimista em relação ao pleito deste ano e revela que o seu desejo é que o também deputado Allyson Bezerra seja candidato a prefeito em Mossoró, mas que o diálogo permanece aberto para outras composições no segundo maior colégio eleitoral do estado. Acompanhe.

Deputado, o senhor afirmou que “a governadora deu um tiro nas costas do servidor que ela tanto iludiu”. A afirmação veio após a confirmação da ausência da governadora Fátima Bezerra na Assembleia Legislativa para a leitura da mensagem anual. O senhor não foi duro demais com a governadora?

Fátima Bezerra tem uma trajetória política vitoriosa no Rio Grande do Norte, mas ela sempre fez oposição irresponsável. Ela sempre crescia em cima de governos dizendo que governo não fazia aquilo porque não queria, não dava aumento ao servidor porque não queria, não resolvia problemas porque não queria. Ela incentivava pautas complexas para a máquina pública, incentivava o servidor a ir à rua, demonizava absolutamente quem era contra essas pautas.Seu grupo fazia arte em redes sociais, outdoors contra políticos que discordavam da pauta que Fátima defendia, e aí ela virou governadora. No primeiro ano de governo, quando já sabia que era inafastável o Rio Grande do Norte fazer uma reforma estrutural na Previdência, Fátima optou por fazer política irresponsável. Acreditando que o presidente Bolsonaroiria fazer a reforma e esse desgaste iria para o Governo Federal, a governadora discursou que a reforma era algo desnecessário e que era feita só por pura maldade. Agora, ela foge dos servidores para não assumir a responsabilidade.

O discursou mudou…

Aconteceu o óbvio: de tanto Fátima, junto com o governador do Maranhão Flávio Dino, demonizar a reforma Previdência Nacional, o Congresso tirou os Estados da reforma e aí o plano deu errado, porque a bomba caiu no colo dela, e caiu no colo dela muito maior do que deveria cair porque ela tornou essa bomba maior. Terminou o ano (2019), houve a frustração, os estados ficaram fora da reforma da Previdência, aí ela fez o que deveria ter sido feito no início do ano passado, apresentou a reforma. Surpreendente foi que ela não teve coragem de olhar no olho justamente de quem ela iludiu, manipulou. O PT demonizou, não só Fátima, mas o PT inteiro demonizou a Responsabilidade Fiscal, votando contra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Congresso. Na hora que Fátima apresenta o primeiro projeto que, de fato, mexe positivamente nas finanças públicas do Estado, ela fica com vergonha de ir na Assembleia Legislativa. Ela foge. A governadora não quis pra ela as vaias que sempre aplicou em quem defendia a reforma. Uma atitude absolutamente covarde.

Qual vai ser a posição do Solidariedade, do senhor, na Assembleia quando o projeto chegar à Casa? A expectativa é que o texto seja enviado pelo Governo esta semana.

Eu defendi a necessidade de uma reforma do Estado nos três mandatos que estou na Assembleia. O projeto ainda não chegou. Fátima tem conversado só com os sindicatos e com a imprensa, e aí quando o projeto chegar, a bancada do Solidariedade vai sentar, olhar o teor do projeto, analisar o voto de cada um dos deputados do Solidariedade de forma muito tranquila. Somos muito unidos, todo mundo sabe, mas cada um vai definir como vai votar de acordo com o texto, que ainda não chegou. Eu não confio no governo do PT. Nada que foi dito e que não esteja assinado por Fátima Bezerra, no papel, eu não confio. Não dá para se posicionar oficialmente. Eu, individualmente, não estou falando em nome do partido, eu sou a favor que se reforme a Previdência, infelizmente é inafastável você mexer em alíquota, aumentar alíquota, disso eu não tenho nenhuma dúvida, agora, o contexto dos percentuais, se vai ter transição ou não, previdência complementar, eu não vou fazer o que o PT fez: “eu sou contra a reforma toda, eu a favor da reforma toda”. Eu não vou demonizar o governo do PT como o PT fez com todos os governos que ele foi oposição.

O senhor acredita em mudanças no texto na Assembleia?

A gente ainda não sabe se o governo vai bater questão com a sua bancada, que é majoritária e obedece cegamente o que o governo manda. A gente não sabe como irão se comportar os parlamentares, qual o nível de conflito interno dos deputados do PT. Não diria nem conflito ideológico, que é outra coisa, isso aí é sem-vergonhice. Você ir pra rua, pra uma campanha demonizar um tema depois defender esse mesmo tema. Isso não é conflito ideológico, é mentira deslavada que foi feita na campanha e de forma agora cruel com o servidor, cruel com militantes que sempre defenderam o PT, agora estarem fazendo o contrário do que pregaram, não há conflito ideológico nenhum, isso é safadeza.

Como o senhor avalia esse primeiro ano de gestão do governo Fátima Bezerra?

O primeiro ano de gestão foi extremamente fraco. Você não teve nada de relevante. A necessidade de uma reforma era para ter sido apresentada na primeira semana de governo, e só agora foi apresentada, e você também não sente modernização da máquina. Fátima conquistou deputados em troca de cargos, como todos os outros governadores. Você não vê uma máquina pública mais moderna; você vê apadrinhamento, tanto de indicações de deputados como de pessoas ligadas a sindicatos e nichos do PT, então, nada há de moderno na gestão, absolutamente nada.

Estamos em ano eleitoral, o pleito municipal se aproxima. O senhor já é declaradamente pré-candidato à Prefeitura do Natal. Como tem sido essa pré-campanha? Quais as expectativas do senhor em relação à disputa de outubro?

Estamos muito animados, porque, de fato, há uma mudança de postura do eleitor natalense, do eleitor potiguar, brasileiro. É uma oportunidade para uma nova geração da qual eu faço parte, de quem não é de família política tradicional, não faz campanha milionária, não fica utilizando a máquina pública indicando parentes e apadrinhados eleitorais. A gente se qualificou, se preparou muito para esse momento. Eu sou de Natal, nasci em um bairro de periferia, venci na vida através de estudo. Após entrar na política me qualifiquei para a Administração Pública, fiz pós-graduação em Gestão, mestrado em Políticas Públicas, conheço os bairros de Natal, conheço os serviços públicos da Prefeitura como usuário que fui de posto de saúde, de ônibus, então estamos muito animados. Eu acho que Natal pode ter um momento de modernidade a partir de 2021, vamos apresentar nossos projetos ao eleitor natalense, estamos muito confiantes que vamos ganhar a eleição desse ano.

O senhor até pouco tempo era presidente do Solidariedade no Rio Grande do Norte e passou o bastão para o suplente de deputado federal Lawrence Amorim, em virtude da pré-campanha à Prefeitura. Fora da capital, em nível de estado, como o partido do senhor está se preparando para o pleito desse ano? Em Mossoró, qual será a posição da legenda? Apresentará candidatura própria ou apoiará um outro projeto?

Primeiro do ponto de vista da chapa proporcional queremos dizer que essa nominata está bem articulada em Mossoró, como está também em Natal. As decisões de Mossoró serão tomadas pelo Diretório Municipal de Mossoró, com o deputado Allyson, Lawrence, Soldado Jadson (ex-vereador). O processo está sendo muito bem conduzido, Allyson é um menino extremamente talentoso; a prova da precocidade dele é ser deputado estadual tão jovem, no formato que ele foi, então a gente tem muita tranquilidade em relação a Mossoró. É claro que eu, daqui, torço para que Allyson seja candidato e vença essa eleição, mas ele tem tido uma postura muito madura de dialogar com outros partidos, dialogar com os setores, tem dialogado bastante como Daniel (Sampaio) lá no PSL, que é um cara muito gente boa.Allyson pode montar uma frente com Jorge (do Rosário, do PL), com Daniel, e a gente torce pra que isso ocorra. Em nível de estado, como não temos uma superestrutura, não devemos ter dezenas de candidaturas, mas o nosso partido tem um núcleo muito bem feito, fomos o terceiro partido mais votado na eleição passada, estamos muito organizados e prontos para as eleições de 2020.

Por Maricelio Almeida – JORNAL DE FATO

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