Ministro da Justiça ‘sequer consultou’ Lava-Jato antes de reduzir efetivos, diz procurador

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa criticou, na manhã desta quinta-feira, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, por não ter consultado a força-tarefa da Lava Jato antes de reduzir os efetivos dedicados à operação em Curitiba. Ele também fez um apelo para que a Polícia Federal seja fortalecida. A declaração foi dada em entrevista coletiva concedida na sede da Polícia Federal, na capital paranaense, para dar mais detalhes sobre a 42ª fase da Lava-Jato, deflagrada esta manhã, que resultou na prisão temporária do ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine.

— O anterior ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, quando no cargo, ajudou a força-tarefa de Curitiba e se comprometeu a fortalecer a Lava-Jato. O atual ministro não fez um movimento no mesmo sentido, sequer consultou a força-tarefa sobre o quanto de investigação tinha e o quanto de necessidade de efetivo havia. É uma responsabilidade dele essa diminuição e temos que fortalecer a Polícia Federal — disse.

O procurador alegou que a dissolução dos grupos de trabalho é “responsabilidade” de Jardim:

— É importante pontuar que o Ministério Público Federal quer fortalecer a Polícia Federal. É preciso que a polícia investigue. E a diminuição do efetivo é uma responsabilidade do ministro da Justiça. As informações são de O Globo.

Athayde declarou que a operação continua sendo prioridade para o Ministério Público Federal e disse acreditar que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fortalecerá a Lava-Jato. A escolha de Dodge para o cargo, sucedendo Rodrigo Janot, foi aprovada publicamente pela força-tarefa de Curitiba.

— A Lava-Jato está no auge da sua maturidade. Para o Ministério Público Federal está claro que ela é prioridade. Era assim com o doutor Rodrigo Janot e certamente será com a doutora Raquel Dodge.

Igor Romário de Paula, delegado regional de combate ao crime organizado, disse que os dois órgãos atuam na operação da mesma forma e que isso faz parte da investigação. Igor já havia negado sucateamento da PF com o fim de uma força-tarefa específica para a operação em Curitiba.

— O efetivo que trabalhava na Lava-Jato ainda funciona com exclusividade. Estamos em processo de reestruturação — disse Igor, minimizando as declarações do MPF.

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