Na dor que parece sem fim, Janaúba dá lição de amor

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Nessa sexta-feira, foram enterrados sete mortos do massacre, sendo cinco crianças e dois adultos: a professora Heley e o vigia Damião, que provocou a tragédia

Num vazio simbólico, sem pressa, sem familiares e sem lágrimas, o corpo do vigia Damião Soares, autor da tragédia na creche Gente Inocente, em Janaúba foi enterrado. Uma hora depois, no mesmo cemitério, outro cenário. Com dor, saudade e homenagens, uma multidão – que gritava “nossa heroína” – foi dar adeus à professora Heley de Abreu. A cidade do Norte de Minas nunca precisou se mobilizar tanto, pois jamais conheceu uma tragédia da proporção do incêndio suicida à creche.

Nessa sexta-feira (6), seu povo acolhedor estava mergulhado numa tristeza profunda e, ainda assim, encontrava espaço para solidariedade. Ficou claro que não se tratava ali do fim de um vilão ou de uma heroína, mas que o povo estava unido em sua simplicidade e amor.

Na pureza de Hilda, que perdeu o neto queimado pelo fogo provocado pelo homem a quem ela perdoaria e até ajudaria se estivesse vivo. Na gentileza dos parentes que velavam os corpos de seus pequeninos em casa, e ainda ofereciam café e biscoito a quem ia se despedir. Na estranheza de pais e mães, diante de seus filhos, que os deixaram precocemente e de forma tão violenta. Na inocência dos meninos que morreram abraçados no fogo. Na delicadeza de Janiqueli, que, após uma noite velando seu filho, conseguiu lembrar o nome da repórter e a abraçar: “Meu filho morreu, não vou ver ele mais”. As informações são do jornal O Tempo, Minas Gerais.

Agora, a dor de cada um dos janaubenses ultrapassa os limites das palavras e das fronteiras, estende-se a todo país, e, por que não, a todo o mundo. Nessa sexta-feira (6), o sol se pôs ao lado do cemitério municipal logo após o último adeus a Heley, depois de um dia inteiro de tristes partidas.

Talvez, hoje, o sol nasça diferente, dando a oportunidade para os moradores de Janaúba assimilarem o que aconteceu. Mesmo sem conseguir entender essa tragédia devastadora, eles seguirão suas vidas, mas, certamente, sempre com a pergunta: por quê?

Quem assistiu de longe a toda essa tragédia e dor deve estar se fazendo essa e tantas outras perguntas. As respostas imediatas talvez não venham, mas o caminho possível para se chegar a elas ou para superar a dor e seguir vivendo, a cidade já mostrou: o amor.

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