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Paralisação dos anestesistas não tem previsão de fim após 21 dias

Passados 21 dias desde o início da paralisação dos profissionais da Cooperativa de Anesteseologistas do Rio Grande do Norte (Coopanest-RN), o movimento paredista segue e sem previsão para o fim. O órgão representante dos médicos afirma que a paralisação só terá fim quando R$ 3,3 milhões de pagamentos em atraso forem quitados. O Governo do Estado deve, aproximadamente, R$ 2,06 milhões à cooperativa, enquanto a Prefeitura do Natal precisa fazer repasse de uma verba federal na ordem de R$ 1,25 milhão. Em meio a isso, a suspensão de serviços já impediu a realização de mais 3,5 mil, segundo estimativa da Coopanest.

“Nem a secretaria municipal nem a estadual de Saúde apresentaram propostas. Para se ter uma ideia, se neste mês de janeiro não houver pagamento, a partir do próximo dia 28, essa dívida vai crescer e vai chegar a R$ 5,5 milhões. É uma situação gravíssima, então o que a gente pede aos gestores é uma sensibilidade e que a gente tenha um canal de conversa para conseguirmos resolver isso. Para acabar a paralisação, é necessário não ter contas em atraso”, disse o presidente da Coopanest, Vinícius da Luz.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), que disse que o valor está fechado para trâmite financeiro. A previsão da Sesap é que o dinheiro seja entregue à cooperativa até o dia 15 de janeiro. Em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS), a pasta informou que não há previsão para o repasse da verba. Sem previsão também fica quem espera a volta dos serviços.

Uma das pacientes que não conseguiu passar por cirurgia neste período é a idosa Francisca Erineide, 82 anos, que passou as festividades do Natal e Ano Novo longe da família e não tem perspectiva de quando terá essa reunião novamente. Ela sofreu um acidente na casa onde mora, em Parnamirim, na Grande Natal, no início de dezembro do ano passado, o que lhe rendeu uma lesão no quadril e que demanda uma cirurgia para fixação de uma placa no fêmur.

Inicialmente, ela foi levada socorrida ao Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, onde fez exame de imagem que não detectou fratura e recebeu alta sem encaminhamento para cirurgia.  Porém, na volta para casa ela ainda se queixava de dor e foi levada a outro hospital para ser consultada. Nessa unidade, ela fez outro exame raio X que identificou uma ruptura no osso. Com isso, ela voltou ao Walfredo Gurgel internando-se para cirurgia no último dia 12.

Nesse período, ela ficou em uma maca posicionada em um corredor do hospital e teve covid-19, mas sem apresentar sintomas, até que foi encaminhada ao Hospital Memorial São Francisco, onde ainda aguarda a cirurgia. O neto de Francisca Erineide, Emanuel Borges, diz relata que a demora  e a falta de previsão para a realização do procedimento tem deixado a avó abalada emocionalmente.

“A pior aflição que existe é não ter uma data ou uma previsão para quando será feita a cirurgia. O cirurgião até falou que está pronto para fazer a cirurgia, mas não pode marcar o dia porque não tem anestesista para trabalhar no procedimento”, disse o neto da paciente.

Emanuel Borges diz que a avó era ativa antes do acidente domiciliar e que está com saudades de casa. A falta de previsão levou familiares a consultarem o valor da cirurgia de forma particular. Se feito por recursos próprios, o procedimento da idosa custaria R$ 15 mil. A família não tem condições de desembolsar esse valor. Além disso, os parentes dela já custearam R$ 1.350 em diárias de acompanhantes e outros R$ 500 em compras de insumos, como fraldas.

Outro paciente que vive uma situação semelhante a essa é Jailson Lourenço de Araújo, 57 anos. Após fazer uma cirurgia na coluna, ele caiu em casa quando se locomovia com o andador e quebrou o fêmur. Com quadro mais delicado, ele relata dores diariamente e precisa tomar remédios para aliviar os sintomas. Costumeiramente, o homem pergunta ao médico que o acompanha se tem data para sua cirurgia, mas ao receber a negativa, ele chora.

“A família não pode estar ao lado dele. Eu fico para cuidar e ver o melhor dele, porque eu vejo o sofrimento e me sinto impotente por não poder fazer nada. Ele não tem condição nenhuma de fazer particular, tem que aguardar pelo fim dessa paralisação. Quando o médico chega, ele diz: ‘doutor, pelo amor de Deus, quando é que vai ser?’ E o médico responde que não tem previsão. Aí ele começa a chorar”, relata Eliane de Tavares, que trabalha como cuidadora do paciente.

Nesta quinta-feira (5), já são 16 dias que Jailson Lourenço está internado no aguardo da cirurgia. Usando fraldas e sem conseguir se locomover, ele se queixa de dores frequentemente à cuidadora. Sem disponibilidade de familiares o acompanharem,  Eliane de Tavares e o marido dela, que está desempregado, se revezam para acompanhar o paciente.

Paralisação

A paralisação dos profissionais da Coopanest é referente a contratos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com a Prefeitura do Natal e o Governo do Rio Grande do Norte. Com isso, o atendimento de cirurgias e exames eletivos foram suspensos. Nesse período, os anestesiologistas mantiveram os serviços de urgência e emergência, além das escalas de plantão. O movimento paredista começou no dia 15 de dezembro do ano passado.

Para dar fim à suspensão das atividades mencionadas, os anesteseologistas cooperados cobram o pagamento de parcelas em atraso do Governo do Estado e da Prefeitura do Natal.

A Coopanest informou que as parcelas do governo estadual referentes aos meses de julho e agosto, o que representaria R$ 2.063.559,90 na amortização da dívida, estão atrasadas. Já a Prefeitura do Natal, desde o início da suspensão dos atendimentos, fez dois depósitos no valor total de R$ 1.424.186,67, referentes a dois meses do contrato. Porém, foi deixado em aberto o repasse dos procedimentos de média e alta complexidade, que foram alocados pelo governo federal, no valor de R$ 1.259.392,89.

Tribuna do Norte

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