Planalto manipulou agendas de Temer após delação de Joesley

Temer

Na manhã do dia 18 de maio, enquanto a Polícia Federal cumpria mandados de prisão e buscas pela operação Patmos, o servidor do Planalto era acessado e as agendas antigas de Michel Temer (PMDB) manipuladas. As alterações teriam sido realizadas para esconder a informação de que houve um encontro, no dia 18 de agosto de 2014, em Brasília, entre o então vice-presidente e o lobista do grupo J&F, Ricardo Saud.

Em delação premiada, Saud disse que encontrou o peemedebista para comunicá-lo pessoalmente sobre o repasse de R$ 15 milhões ao PMDB na campanha eleitoral – fruto de um acerto para compra de apoio a Dilma Rousseff (PT). Na agenda de Temer, no entanto, agora consta a informação que naquela data não houve compromisso oficial. As informações foram divulgadas na noite desta sexta-feira (2) pelo site da revista “Época”.

A revista diz que submeteu os códigos-fonte – espécie de alfabeto das máquinas – das páginas na internet que registram as agendas antigas de Temer a dois peritos da Polícia Federal especialistas em informática. Eles chegaram à conclusão de que realmente os servidores foram acessados e a agenda manipulada.

Em resposta à reportagem, o Planalto reconheceu que acessou os servidores da presidência para edição das agendas antigas de Temer, contudo, a motivação seria apenas burocrática, sem o intuito de esconder alguma informação. “Não houve alterações feitas por funcionários do gabinete nas agendas do então vice-presidente Michel Temer. O que houve foi apenas uma transferência dos calendários para bancos de dados para evitar problemas tecnológicos, realizada na verdade no dia 16 de maio. Essa mudança garantiu o acesso público aos dados sem problemas de confusão de informações por questões técnicas”, diz o comunicado.

A reportagem de “Época”, no entanto, relata que mais de 100 páginas com códigos e scripts das agendas de Temer foram analisadas pelos peritos e eles concluíram que nem todas as agendas antigas foram modificadas no mesmo dia.

“Ou seja, um grupo expressivo fugiu do padrão: as agendas que foram manuseadas no último dia 18 de maio, no calor da operação da PF, que poderia, por exemplo, ter registrado o encontro com o executivo da JBS. Na avaliação dos peritos consultados pela reportagem, como as modificações não ficaram registradas em todas as agendas, a indicação é que pode ter ocorrido uma busca por palavras-chave para a realização de alterações específicas. Consultados sobre a justificativa do Planalto, os peritos apontam que uma migração de dados deveria provocar alterações em todas as agendas, e não somente em algumas”, informa a revista.

Segundo a reportagem, “somente uma perícia dentro dos servidores do Palácio do Planalto poderia resgatar o histórico das páginas e apontar efetivamente se houve supressão de dados com o objetivo de proteger Michel Temer das investigações da Lava Jato, apagando rastros que poderiam implica-lo mais ainda”.

Fonte: O Estado de São Paulo

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