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Presidenciáveis com menos de 2% de intenção de voto usam mais anúncios pagos

Nesta semana, Henrique Meirelles (MDB) impulsionou 19 postagens de sua página no Facebook

Na última quarta-feira (4), a página de Henrique Meirelles no Facebook patrocinava 14 postagens de vídeos quase idênticos com imagens de visitas do pré-candidato do MDB ao Planalto a 15 cidades. A diferença entre eles era apenas a ordem das cidades —uma estratégia para cativar diferentes públicos-alvo.

Durante a última semana, desde que a rede social passou a divulgar a lista dos posts pagos por cada página, o ex-ministro da Fazenda foi o presidenciável que mais impulsionou mensagens: 19 contabilizadas pela reportagem desde a segunda-feira (2).

A tática foi mais utilizada por pré-candidatos que, como Meirelles, têm 2% ou menos de intenções de voto na última pesquisa Datafolha: Manuela D’Ávila (PC do B), João Amoêdo (Novo), Rodrigo Maia (DEM), Flávio Rocha (PRB), Levy Fidelix (PRTB) e Paulo Rabello de Castro (PSC).

A exceção foi Marina Silva (Rede), que aparece com até 15% das intenções de voto. Na última semana ela pagou, em média, uma postagem por dia.

Ao patrocinar o post, o pré-candidato, assim como empresas, pode escolher que perfil quer atingir na rede: idade, gênero, localização, interesses. A postagem então ultrapassa a barreira dos seguidores da página para atingir quem o político vê como seu público-alvo para determinada mensagem. Isabel Fleck – Folha de São Paulo

“O impulsionamento aumenta bastante o alcance das publicações mas ainda estamos avaliando os resultados”, disse a assessoria de Meirelles, em nota.

As regras eleitorais para postagens pagas —o chamado impulsionamento, uma novidade nestas eleições— só valerão a partir do início da campanha eleitoral, em 16 de agosto. Antes disso, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a ação só pode ser considerada campanha antecipada se o pré-candidato pedir voto.

Depois do início da campanha, apenas os candidatos registrados, os partidos e comitês e coligações poderão impulsionar conteúdo sobre os políticos que estão concorrendo.

A punição, contudo, dependerá, essencialmente, de denúncias contra quem estiver desrespeitando as regras, já que o TSE não fiscalizará por si só. O Facebook também responderá apenas a demandas do tribunal.

Apoiadores e eleitores não poderão pagar para que mensagens sobre seu candidato tenham maior alcance, como ocorre hoje, por exemplo, com pelo menos duas páginas de apoio ao deputado Jair Bolsonaro (PSL).

A página oficial de Bolsonaro não vai pagar para impulsionar postagens neste momento, segundo a assessoria do deputado. O mesmo ocorrerá com a do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Ciro Gomes (PDT), cuja equipe disse estar ainda avaliando o uso da ferramenta.

A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o impulsionamento está sendo feito aos poucos, apenas para testar os diferentes públicos. Nesta semana, a página não teve posts patrocinados.

Dos pré-candidatos consultados pela Folha, apenas Rodrigo Maia e Manuela D’Avila divulgaram o quanto foi gasto na última semana. O pré-candidato do DEM pagou R$ 1.319 por nove postagens, e a do PC do B, R$ 2.326. Os valores vieram dos respectivos partidos, segundo suas assessorias.

Meirelles e Álvaro Dias, por sua vez, financiaram os posts com dinheiro próprio.

Segundo o Facebook, os valores variam não só de acordo com o período e o alcance contratados, mas também em relação à concorrência que o post enfrentará para aparecer para determinado público naquele determinado momento.

A pessoa que passa a ver a postagem política em seu perfil pode optar por não receber mais, clicando na própria mensagem.

TEMAS

Os temas escolhidos pelos pré-candidatos para “furar a bolha” até agora estão relacionados, principalmente, com suas biografias. Com 2% ou menos de intenções de votos, a maioria percebeu que ainda precisa se apresentar ao eleitor —como Amoêdo, que inicia um dos vídeos falando seu nome e seu partido.

Poucos presidenciáveis, porém, têm investido na produção dos posts. A maioria publica recortes de vídeos de entrevistas ou discursos sobre temas como educação e saúde.

Meirelles foi um dos poucos que encomendaram vídeos roteirizados. Em um deles, o narrador apresenta o ex-ministro —que aparece num momento afagando um cachorro— como “o cara” a quem ex-presidentes recorreram para tirar o Brasil de crises em 2002 e 2015.

A página de Maia, por sua vez, manteve patrocinado por pelo menos três dias um post com fotos do presidenciável com o apresentador José Luiz Datena, que anunciou na última semana que concorrerá ao Senado pelo DEM.

Maia oscilou entre 1% e 2% das intenções de voto no último Datafolha. Datena registra 33% para o Senado, segundo o Ibope.

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