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Rodrigo Maia é campeão de voos nos jatinhos da FAB

Rodrigo Maia

O “campeão de milhagens” é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com 211 voos.

As autoridades brasileiras parecem levar ao pé da letra a expressão: “O céu é o limite”. Elas aproveitaram, e muito, o ano de 2017 para utilizar as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) em deslocamentos por todo o Brasil e por vários países.

Levantamento da reportagem de O TEMPO, com base nos registros de voos disponíveis no portal do órgão, apontou que somente no ano passado os ministros do Estado, presidentes dos Três Poderes e chefes das Forças Armadas embarcaram 2.445 vezes nos jatinhos da FAB, o que representa um aumento de 11,3% se comparado ao ano de 2016. Deste total de voos, somente 103 foram compartilhados por autoridades. Os outros 2.342 tiveram à bordo apenas um ministro e seus convidados.

Segundo o levantamento, em 2016, foram 2.196 viagens de autoridades políticas, sendo que 672 delas ocorreram durante o mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT). Naquele ano, 71 voos foram compartilhados por ministros. A maioria dos trajetos feitos pelos ilustres passageiros refere-se aos trechos de Brasília aos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e o percurso contrário.

Atualmente, o Grupo de Transporte Especial (GTE) da FAB utiliza seis aeronaves, de quatro modelos, para atender o presidente Michel Temer e as autoridades. Questionada sobre os custos operacionais dos deslocamentos, a assessoria de imprensa da FAB informou que esses dados são classificados com o grau de sigilo “reservado”, “pois são considerados estratégicos por envolverem aviões militares”. As informações são de FRANSCINY ALVES E LETÍCIA FONTES – O Tempo/Minas Gerais.

Diante disso, a reportagem realizou orçamentos em empresas de táxi-aéreo e apurou que o trajeto de ida e volta de Brasília até a capital do Rio de Janeiro custa, em média, R$ 65 mil. Já o trecho do Distrito Federal até a capital paulista é de R$ 63 mil. Nessas pontes aéreas foram realizados, respectivamente, 397 e 412 voos. Isso custaria, pelo menos, R$ 51,7 milhões aos cofres públicos. Já uma passagem de voo comercial para esses destinos custa em média R$ 300.

O “campeão de milhagens” é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com 211 voos. O trecho mais utilizado por ele foi de Brasília ao Rio de Janeiro, onde fica sua residência, e o trajeto contrário. Ele ainda visitou dois países: Paraguai e Peru. Logo em seguida no ranking está o ministro da Defesa, Raul Jungmann, com 155 “embarques”, visitando 15 países, como o Haiti.

Outro que andou muito pelo exterior foi o ministro da Fazenda e pré-candidato à Presidência em 2018, Henrique Meirelles. Nas 128 viagens feitas por ele, 13 nações foram visitadas, entre elas a Venezuela. Outros dois que ocupam o “top 5” de voos são os ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e o da Integração Nacional, Helder Barbalho. Foram 128 e 120 viagens, respectivamente. Conforme a pesquisa, as aeronaves que levaram os dois somente “aterrissaram” em território nacional.

Regras. A frota da FAB pode ser utilizada para o transporte do presidente e seu vice, presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros e comandantes das Forças Armadas.

Limite. Em 2015, a então presidente Dilma Rousseff suspendeu as viagens de ministros para seus locais de residência. A exceção é para trajetos feitos pelo vice-presidente e pelos presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal.

Rotas “individuais” foram 140

As autoridades brasileiras parecem ter esquecido o que determina o decreto da Força Aérea Brasileira (FAB), de 2002, de que sempre que possível as aeronaves sejam compartilhadas por mais de um ministro. De acordo com o levantamento feito pela reportagem de O TEMPO, no ano passado, 140 viagens tiveram um único passageiro a bordo.

Quem mais se preocupou com a privacidade foi o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha. Dos 99 voos realizados pelo ministro, em 88 deles ele aproveitou sozinho o conforto do jatinho da FAB. O trecho aéreo mais utilizado por Padilha é entre Brasília e Porto Alegre, e apenas em três viagens o ministro fugiu dessa rota. Segundo a pesquisa da reportagem, o fretamento de um jato para esse percurso custa, em média, R$ 92 mil, enquanto uma passagem para voo comercial custa R$ 400.

Outro que costuma utilizar os jatinhos da FAB sozinho é o ministro da Secretaria Geral, Moreira Franco. Das 94 viagens feitas por ele, em 25 Moreira aproveitou o trajeto sozinho.

Justificativa. Por meio de nota, a assessoria da FAB esclareceu que aeronaves oficiais somente podem ser utilizadas por motivos de segurança, emergência médica, viagens a serviço e deslocamento para residência. Questionada sobre a não divulgação da lista de passageiros das aeronaves, o órgão destacou que informações adicionais devem ser dirigidas às assessorias das respectivas autoridades.

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