‘Se não me tirarem, não arredo um passo do caminho que começamos a trilhar, diz Tasso

Animado com a repercussão do programa do PSDB que causou a indignação de setores governistas do partido, o presidente interino Tasso Jereissatti (CE) disse na noite desta sexta-feira que está disposto a continuar a implementar medidas para reconectar o partido com a sociedade. Se não for afastado, diz, semana que vem comandará uma reunião com presidentes regionais do partido para discutir calendário de convenções.

— Se não me tirarem, e eu continuar, não arredo um passo do caminho que começamos a trilhar para refundar o PSDB. É impressionante a recepção da propaganda na opinião pública e a raiva que provocou em alguns políticos. Isso mostra como estamos distantes da sociedade. Recebi milhares de e-mails dizendo que é isso mesmo e muita gente que encontrei aqui disse que não viu nenhuma acusação a Temer. vamos em frente — disse Tasso.

Depois do apoio público do prefeito João Doria, Tasso recebeu uma ligação do governador Geraldo Alckmin dizendo que apoiava sua manutenção no cargo “de forma contundente”. O senador passou o dia recebendo apoios e conversando com lideranças do partido que entraram em campo para botar panos quentes. As informações são de Maria Lima, O Globo.

Tasso negou que o partido esteja rachado e defendeu que, neste momento, a sociedade quer discutir os problemas de governabilidade focados no programa de TV. Com quem conversou, deixou claro que não renuncia, e só sai se o tirarem.

Outras lideranças tucanas, contrárias ao seu afastamento, como o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disseram que o momento exige colocar o dedo na ferida. A polêmica gerada mostraria que a propaganda com a marca de Tasso foi “um sucesso”.

— Não faz sentido ninguém botar a carapuça. Por que o mal-estar? A crítica ao sistema que está falido foi feita de forma genérica. E a expressão que causou tanto desagrado, do presidencialismo de cooptação, inclusive foi uma sugestão de Fernando Henrique a Tasso. A versão original falava em presidencialismo de coalizão — defendeu Cássio.

— O programa constata que o sistema político atual é gerador de crises, traz instabilidade e atrapalha projetos estruturantes, sem acusar ninguém individualmente — completa o secretário-geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), também alinhado com Tasso.

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