Serraglio não vai à posse de novo ministro da Justiça

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, ao discursar no Palácio do Planalto (Foto: Reprodução/Twitter da Presidência da República)

Em conflito com o Palácio do Planalto, o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) não compareceu à cerimônia de posse de seu substituto, Torquato Jardim.

A ausência do agora deputado, que se queixa de falta de respaldo do presidente Michel Temer, foi um dos motivos para que não houvesse, depois da posse, a habitual transmissão de cargo entre os ministros, que deveria acontecer no Ministério da Justiça em caráter simbólico.

A assessoria de Serraglio confirmou à Folha que ele não participará do evento, marcado para as 15h no Palácio do Planalto, com a presença de Temer e de diversas autoridades.

O deputado irritou o presidente nesta terça-feira (30) ao recusar o convite para assumir o Ministério da Transparência, o que atrapalhou a estratégia do governo de blindar Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor de Temer e alvo de um inquérito da Lava Jato junto com o presidente baseado na delação da JBS.

Alvo de críticas do governo e aliados, que consideravam sua atuação como ministro “fraca”, Serraglio queixou-se de não ter respaldo do Planalto, de ter sido “fritado” em público e avisado de sua demissão somente pelo líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), e não diretamente por Temer.

No fim de semana, o presidente decidiu fazer uma troca na Justiça e Transparência e nomear Torquato para a primeira pasta, deixando Serraglio com a segunda. O objetivo era mostrar que o governo poderia ter mais influência na Polícia Federal, subordinada à pasta da Justiça e responsável pelas investigações.

Com a manutenção de Serraglio no primeiro escalão, Rocha Loures permaneceria com mandato de deputado e foro privilegiado, o que é de interesse do governo, visto que uma prisão e possível delação premiada do ex-assessor presidencial pode implicar o presidente.

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