Servidores que estão na linha de combate ao coronavírus no RN são expostos a fungos e mofo

*Por César Santos – JORNAL DE FATO

Há uma semana, o JORNAL DE FATO publicou reportagem sobre a falta de equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs, para os servidores do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró. A matéria, com base na denúncia formulada pela regional do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (SINDSAÚDE/RN) expôs como o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP/RN) vem tratando os profissionais que estão na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus.

Além da falta de EPIs, os servidores também amargam dois meses de salários atrasados (dezembro e 13º de 2018), além do “congelamento” dos salários há uma década. Outra denúncia feita pelo coordenador regional da entidade, João Morais, foi quanto ao pagamento de 40% de insalubridade, mas o governo garantiu que honrará o compromisso no dia 31 de maio.

A acusação de maus-tratos aos servidores estaduais da saúde ganhou novo capítulo nesta quinta-feira, 28. A categoria que atua no combate ao novo coronavírus, no Hospital João Machado, em Natal, denuncia a “estrutura precária” na sala de repouso da unidade. Um dos servidores, indignado, registrou o local em fotos.
Reportagem do portal de notícias G1-RN, afirma que “os servidores reclamam que toda a unidade sofre com problemas estruturais, inclusive, nas alas destinadas ao atendimento médico.” Segundo o enfermeiro Breno Abbott, “a pandemia tem deixado os servidores exaustos e eles estão repousando em uma sala cheia de fungo e mofo. É um descaso total em todo o hospital.”

Breno Abbott é coordenador-geral do Sindsaude/RN e acompanha de perto os hospitais que atendem pacientes com a Covid-19 no estado. “Infelizmente, essa situação não se limita só a sala de repouso do João Machado. Na unidade não há estrutura adequada para os servidores trabalhar. As paredes não têm pintura e a unidade sofre constantemente com quedas de energia”, revelou ao G1, para questionar: “Como querem colocar leitos de UTI em uma estrutura dessas? Não tem condições, é preciso oferecer condições mínimas de trabalho.”

O sindicalista afirma que a sala de repouso, onde os servidores guardam material, está péssimo. É um mofo muito grande, um odor totalmente desagradável e o ar-condicionado não está funcionando.

“Eu já questionei a direção e eles dizem que vão tomar as providências, mas até agora nada foi feito. A cada dia que passa diminui o número de servidores na escala porque eles adoecem mentalmente ou pela Covid-19. São péssimas as condições”, disse uma das servidoras do João Machado que preferiu não se identificar.

O Governo do Estado anunciou a contratação da empresa responsável pela implementação e gestão de 30 leitos de terapia intensiva (UTI), 20 deles serão instalados no Hospital João Machado. A preocupação é que até agora nada foi feito e a estrutura da unidade não tem condições de oferecer boa assistência.

O secretário da Saúde, Cipriano Maia, recentemente disse que a pasta está “trabalhando arduamente nas condições estruturais no João Machado, e nos próximos dias poderemos ter também a ampliação de leitos de retaguarda.”

Por fim, a direção do Sindsaúde revela que os profissionais da saúde recém-admitidos não receberam treinamento adequado para atuar no enfrentamento à pandemia. “Os servidores antigos também têm dificuldades, imagina os novatos. Eles foram empurrados sem preparação prévia. Alguns têm crises de pânico”, informou Breno Abbott.

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