Temer percebeu que está prestes a perder o apoio dos ‘donos do PIB’

Temer durante pronunciamento no Palácio do Planalto; presidente diz, em vídeo, que país não vai parar

Os 14 milhões de desempregados agradeceriam se Temer renunciasse

Por Raquel Landim –  Folha de São Paulo

O presidente Michel Temer percebeu que está prestes a perder o único pilar de sustentação que ainda resta para o seu governo: o setor privado.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (25), Temer diz que “o Brasil não parou e não vai parar”, uma resposta direta aos anúncios publicados nos jornais por diversas entidades patronais nos últimos dias.

Visivelmente cansado e um pouco nervoso, o presidente comemora até aprovação de medida provisória num esforço de demonstrar que ainda tem condições de governar o país.

Temer é um presidente extremamente impopular, que nunca foi a primeira alternativa dos “donos do PIB” ou do mercado financeiro. Mas vinha sendo elogiado porque conseguia aprovar as reformas. Seu principal ativo, portanto, era o domínio que exercia sobre um Congresso fisiológico.

Depois de ser gravado por um empresário corrupto e acusado de crimes graves, ele se tornou tóxico para as eleições de 2018. Dificilmente vai conseguir manter sua base de apoio parlamentar e, sem isso, perde “valor” para o mercado.

O que ainda garante alguma sobrevida ao seu governo é a incerteza provocada pela perspectiva de eleições indiretas e a falta de um nome claro para sucedê-lo. Mas o setor privado já dá sinais que abandonará Temer definitivamente assim que encontrar alguém capaz de manobrar o Congresso.

Se não estivesse tão apegado ao cargo para manter o foro privilegiado para si e seu grupo, o que de melhor o presidente faria para o país é renunciar, abreviando a crise política e reduzindo os danos à economia. Os 14 milhões de desempregados agradeceriam.

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