Turma da agiotagem em Apodi e Caicó está na mira do Ministério Público

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Delegado Renato Oliveira e ex-policial militar Benedito Arimatéia são suspeitos dos crimes de usura, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Operação Tábua VIII foi realizada nesta quinta-feira (5)

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) realizou nesta quinta-feira (5) a operação Tábua VIII. Promotores de Justiça cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em residências de um delegado de Polícia Civil e de um ex-policial militar suspeitos de envolvimento com os crimes de usura (agiotagem), lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os mandados foram cumpridos nas cidades de Apodi e Caicó, e ainda em Sousa, na Paraíba. O nome da operação faz referência à Lei das Doze Tábuas do Direito Romano. A oitava tábua tratava dos crimes e das condutas ilícitas, sendo um dos mais antigos registros históricos da proibição da usura e anatocismo, que é a cobrança de juros sobre juros.

A ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRN contou com o apoio do Gaeco paraibano e ainda das Polícias Militares do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

A investigação do MPRN apura o envolvimento do delegado Renato da Silva Oliveira, da Polícia Civil potiguar, do ex-PM Benedito Arimatéia e de mais outras três pessoas nos crimes. Os mandados foram expedidos por um colegiado formado por três juízes.

O MPRN começou a investigar os crimes a partir da cidade de Apodi, onde o delegado trabalha, no ano de 2014. Renato Oliveira também comanda a Divisão de Polícia do Oeste (Divipoe), com sede em Mossoró. Ele é suspeito de integrar uma organização criminosa dedicada à agiotagem e de lavar dinheiro decorrente dessa atividade. O mandado em Sousa, de onde é natural, foi cumprido em uma residência dele. A condição de delegado e de ex-policial militar ostentada por eles impunha um certo temor reverencial nas vítimas.

O modo de ação da organização baseava-se no empréstimo de dinheiro, inclusive pela troca com cheques a vencer, com retenção de documentos e cartões bancários como garantia. A lavagem de dinheiro se dava por meio da ocultação dos recursos envolvidos e da respectiva movimentação financeira em contas bancárias de terceiros.

As buscas incluíram ainda a residência do ex-policial militar Benedito Arimatéia, também suspeito de integrar a organização criminosa e de atuar como agiota. Durante as buscas, foram apreendidos R$ 28 mil em espécie na casa dele, além de grande quantidade de cheques, cartões de crédito e notas promissórias em nome de terceiros.

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