Vadiagem chamada de folga custa R$ 110 milhões

A revista Isto É mostrou que os deputados não se emendam: na primeira semana da reforma trabalhista, resolveram se dar uma folga de onze dias, a um custo indecente para os cofres públicos

Definitivamente, os deputados perderam a vergonha. Se é que um dia já tiveram. Na semana em que a reforma trabalhista entrou em vigor, alterando as relações entre empregados e patrões, a Câmara dos Deputados decidiu se dar uma superfolga de onze dias. O presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), não marcou sessões no Plenário ao longo de toda a semana do feriado da Proclamação da República, celebrado na quarta-feira 15.

Mas quem paga a conta de tamanha vadiagem é o contribuinte. 0 Congresso Nacional gera um custo de R$ 27,7 milhões aos cofres do País a cada dia parado, segundo cálculos da ONG Contas Abertas. Sendo assim, o acintoso feriadão parlamentar gerou para o Tesouro uma despesa de R$ 110,8 milhões.

MAIS FOLGAS NO HORIZONTE

Os deputados gozam de privilégios fora de alcance da grande maioria dos brasileiros: salários de R$ 33,7 mil, mais R$ 100 mil para despesas de gabinete, além de carro com motorista, apartamento funcional e plano de saúde exclusivo. Não bastasse isso, só precisam comparecer às sessões em Brasília de terça a sexta-feira (raramente há sessões na sexta). Mesmo assim, acham-se no direito de desfrutar de onze dias de folga, não prevista no calendário. A última sessão na Câmara foi realizada em 10 de novembro. A próxima ocorrerá somente nesta terça-feira 21(nesta segunda 20, será feriado da Consciência Negra).

0 feriadão prolongado ocorre a menos de duas semanas de outra folga: a de Finados, quando a Casa parou por quatro dias. E mais: daqui a cinco semanas começa o recesso de fim de ano, com mais de 60 dias sem sessões. Os deputados param na semana do Natal e só voltam pouco antes do Carnaval. Trabalhar mesmo. agora, só depois da folia de Momo.

Rodrigo Maia. no entanto, acredita que a semana sem atividades na Câmara não foi mal vista pela população, pois nos dias anteriores à superfolga da Proclamação da República, a pauta de votações estava cheia de projetos importantes, especialmente relacionados à segurança pública, e os parlamentares trabalharam de segunda a sexta-feira numa espécie de “esforço conjunto”. Eis a justificativa do presidente da Casa: “O custo para a Câmara de convocar sessão para segunda seria um esforço desnecessário. O feriado caiu numa quarta-feira e as viagens de ida e volta dos deputados provocariam ainda mais gastos”. Diz ele que temia, também, a falta de quórum para votações.

Como agravante, a folga veio num momento delicado para o governo Temer, em meio às negociações para a votação da reforma da Previdência. Contudo, numa demonstração de absoluta desfaçatez, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP) disse que os parlamentares da base aproveitariam o descanso prolongado para articulações de bastidores em busca de votos a favor da reforma. Por enquanto. Maia tem adiado a votação das mudanças na Previdência por entender que o governo ainda não tem os 308 votos necessários para aprovação.

O único deputado que tem comparecido assiduamente à Câmara é Celso Jacob (PMDB-RJ). Ele está encarcerado no Presídio da Papuda, em Brasília, e só pode deixar a cadeia para ir ao Congresso. Como acha a Papuda um tédio, vai à Câmara todos os dias. mesmo na folga dos parlamentares. A Câmara é uma piada pronta.

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