Fachin diverge de Toffoli sobre anular Lava-Jato para Palocci

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), divergiu de Dias Toffoli nesta terça, 1º, e votou para derrubar a decisão que anulou todos os atos da Operação Lava Jato contra o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Na Segunda Turma do STF, o placar está 2×1 para manter a anulação. Antes, o ministro Gilmar Mendes votou a favor da manutenção da decisão de Toffoli.

Ainda restam os votos dos ministros Nunes Marques e André Mendonça.

Em fevereiro, Toffoli aceitou um pedido da defesa de Palocci requisitando a extensão de um entendimento do ministro anulando outros processos relacionados à Operação Lava Jato.

O ministro argumentou que houve conluio entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro.

PGR se manifesta

A PGR solicitou a Toffoli que reconsiderasse sua decisão ou levasse o caso ao plenário do Supremo.

Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet (PGR), o julgamento de Toffoli sobre outros processos da Lava Jato não deveria se estender ao de Palocci.

“O pleito formulado não se sustenta em vícios processuais concretos ou na ausência de justa causa, mas na pretensão de se desvincular de um acervo probatório autônomo, válido e robusto, cuja existência, em parte, foi por ele próprio reconhecida em sua colaboração premiada. A alegação de prejuízo processual é desprovida de suporte probatório, configurando mero inconformismo com o regular prosseguimento da persecução penal no Juízo Eleitoral”, afirmou.

Na avaliação do PGR, o “Poder Judiciário não tem se esquivado de apurar eventuais ilegalidades e excessos perpetrados no âmbito da Operação Lava Jato”.

Léo Pinheiro

Em setembro de 2024, Toffoli já tinha anulado todas as condenações na Lava Jato de Léo Pinheiro, delator de Lula, sob a mesma premissa de parcialidade de Moro.

O STF manteve sua decisão no início de fevereiro.

A decisão original, que abastece todas as outras, é a anulação das condenações do próprio Lula. Moro, protestou em seu perfil no X:

“O condenado confessa os crimes, celebra acordo de colaboração, devolve aos cofres públicos dinheiro que afirma ser produto de suborno e, anos depois, tudo é anulado por ministro do STF com base em fantasiosa nulidade. Depois reclama-se de ‘conversa de boteco’ quando o Brasil despenca no ranking de corrupção da Transparência Internacional. A prevenção e o combate à corrupção foram esvaziados pelo Governo Lula e seus aliados.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.